Brasil e Argentina são as seleções com maior interesse de buscas entre países que ficaram de fora da Copa do Mundo e que estão entre os 30 com maior interesse pelo Mundial, segundo dados do Google Trends de 11 a 23 de junho.
Enquanto a seleção brasileira lidera em número de menções, seja em primeiro, segundo ou terceiro lugar, a atual campeã do mundo é a que aparece mais vezes em primeiro lugar. Na sequência, entre as seleções mais lembradas, vem Portugal, de Cristiano Ronaldo.
Entre os países em que o Brasil lidera está a Jamaica, que ficou de fora do Mundial na América do Norte após perder na repescagem para a República Democrática do Congo.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram torcedores do país celebrando vitórias na Copa usando a camisa da seleção e com os rostos pintados desfilando pelas ruas da capital Kingston, berço de Bob Marley, um fã declarado do futebol brasileiro.
A tradição jamaicana de torcer pela seleção remonta a Pelé, que em 1971 esteve na capital do país para um amistoso pelo Santos. Ao longo do tempo, outros nomes que despontaram dentro e fora do campo contribuíram para manter a torcida.
No Brasil desde 2010, o jamaicano André James, 37, que trabalha em São Paulo com comida caribenha e foi fundador do antigo restaurante Jerky’s, conta que sua primeira memória do futebol foi em 1998, quando a Jamaica teve a sua única participação em Copas sob o comando do técnico brasileiro René Simões, que se tornou para ele uma lenda, assim como os jogadores Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo.
“Eles faziam coisas incríveis e inspiraram uma geração de jamaicanos”, diz.
A seleção brasileira também lidera o interesse de buscas no Líbano, devido à migração. Segundo dados do Obmigra (Observatório das Migrações Internacionais), do Ministério da Justiça, há mais de 12 mil residentes libaneses no país.
A presença crescente de jogadores brasileiros em times locais ajuda a explicar o interesse maior pelo Brasil nos Emirados Árabes Unidos e na Malásia.
“Esses mercados passaram a investir em futebol e têm o Brasil como principal exportador, e não é só seleção: você vai se deparar com a roda de samba, comida e uma cultura muito simpática em vários aspectos”, diz o Ivan Martinho, professor de marketing esportivo da ESPM.
Ele cita ainda uma campanha feita pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) durante a Copa do Qatar como outra ação que elevou o interesse na região pelo futebol brasileiro.
A Argentina, por sua vez, embalada pelo tricampeonato e pela artilharia de Lionel Messi, aparece à frente do Brasil entre os países latinos, casos de Peru, Bolívia, Venezuela, El Salvador e Guatemala. Uma exceção é o Chile, onde o interesse maior é por Portugal.
Para Martinho, o alcance de Brasil, Argentina e Portugal em países longínquos, como Nepal, Vietnã e Bangladesh, se deve à base de fãs em torno das personalidades de cada time, o que acaba por impulsionar o interesse entre um público mais jovem.
“O Cristiano Ronaldo, o Messi, o Kylian Mbappé e o Erling Haaland são jogadores que ultrapassam em número de seguidores a audiência dos seus clubes e seleções. No caso do Brasil, estamos falando do Vinicius Junior e do Neymar, que têm uma projeção muito grande que acaba se convertendo em interesse pela seleção como um todo”, diz.
A audiência durante o período do Mundial também gera a oportunidade para as confederações ampliarem o leque de patrocinadores, acrescenta o professor.
“À medida que passa a ter esse interesse de outros países, abre-se um caminho também para transformar isso em recursos e não deixar apenas na audiência”, diz.

