eleição marcada para a próxima quarta-feira, 18, na Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) terá um significado que ultrapassa os limites da própria instituição. Além de definir a Reitoria para o quadriênio 2026-2030, o pleito será o primeiro realizado no Pará sob as novas regras federais que retiraram da lista tríplice o papel decisivo que exerceu durante décadas na escolha dos dirigentes das universidades.

A mudança foi sancionada pelo presidente Lula há dois meses e altera um dos temas mais controversos da política universitária brasileira. Na prática, a nova legislação fortalece a autonomia das instituições federais ao assegurar que os nomes escolhidos pela comunidade acadêmica sejam encaminhados para nomeação, eliminando a margem para escolhas divergentes do resultado eleitoral. A universidade viveu, nos últimos anos, um dos episódios mais debatidos do País sobre intervenção na escolha de dirigentes universitários.
Peso da experiência
A nova legislação altera um modelo que permitia ao presidente da República escolher qualquer um dos três nomes integrantes da lista tríplice elaborada pelas universidades. Foi justamente por esse mecanismo que a então professora Herdjania Veras de Lima acabou nomeada reitora da Ufra em 2021, apesar de não ter sido a candidata mais votada pela comunidade universitária.
Naquela eleição, a professora Janae Gonçalves liderou a consulta acadêmica com 2.211 votos, enquanto Herdjania recebeu 1.580 votos. A escolha final do então presidente Jair Bolsonaro provocou forte reação de entidades representativas da educação superior e abriu um debate nacional sobre a autonomia universitária.
O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) classificou a decisão como uma interferência na vontade expressa pela comunidade acadêmica. Cinco anos depois, o cenário institucional é outro.
Eleição após crise
O novo pleito também representa o encerramento de um período turbulento na universidade. As eleições previstas para 2025 foram suspensas por decisão da Justiça Federal após questionamentos sobre a composição do Conselho Universitário (Consun) e o cumprimento de determinações judiciais relacionadas ao processo eleitoral.
Com a paralisação do processo, a universidade passou a ser administrada por uma reitora pro tempore nomeada pelo governo federal. Coube à professora Janae Gonçalves conduzir a reorganização institucional, promover a recomposição dos órgãos colegiados e preparar a retomada do processo democrático. Após a regularização das pendências apontadas pela Justiça, a eleição foi remarcada para este mês.
Três chapas na disputa
A disputa reúne as mesmas três candidatas que participaram do processo interrompido no ano passado. A Chapa 1 é encabeçada por Eldilene da Silva Barbosa, tendo Raimundo Nelson Souza da Silva como candidato a vice-reitor. A Chapa 2 apresenta Gracialda Costa Ferreira para reitora e Raimundo Lima da Silva para vice. Já a Chapa 3 tem como candidata à reeleição Herdjania Veras de Lima, acompanhada por Rosana do Nascimento Luz na vice-reitoria. A votação será realizada de forma eletrônica, por meio do sistema VotaNet, disponibilizado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Pará.
Professores, técnicos administrativos e estudantes participarão da consulta com pesos equivalentes, obedecendo ao modelo paritário adotado pela instituição, em que cada segmento responde por um terço do resultado final.
Disputa está aberta
A única pesquisa divulgada durante o processo eleitoral foi realizada pelo Instituto Doxa, nos dias 5 e 6 de maio, ouvindo docentes, estudantes e técnicos administrativos. Independentemente do resultado, a eleição deste ano já ocupa lugar de destaque na história recente da universidade. Pela primeira vez, desde a mudança legislativa promovida pelo governo federal, a comunidade acadêmica da Ufra votará sabendo que a decisão tomada nas urnas não dependerá mais de interpretações políticas em Brasília.
Depois de anos de disputas judiciais, controvérsias institucionais e debates sobre autonomia universitária, a eleição de 2026 marca o retorno de um princípio que sempre esteve no centro da reivindicação das universidades federais: a prevalência da vontade expressa pela própria comunidade acadêmica.
Papo Reto
•O fotógrafo Rafael Pavarotti, de 33 anos, brasileiro, nascido em Icoaraci, é um dos nomes mais importantes da atual fotografia de moda no mundo.
•Já clicou as estrelas Beyoncé, Rihanna e Harry Styles, além de Madonna, que ele registrou para a capa do novo disco, “Confessions II”, que será lançado no dia 3 de julho.
•Ele é responsável também pelo material de divulgação do novo trabalho de Madonna, como os vídeos promocionais.
•Pavarotti também fotografou a campanha de lançamento da loja sueca H&M, no Rio de Janeiro, e entre os personagens escolhidos, ele chamou Seu Jorge, Zezé Motta, Rayssa Leal, Ingrid Silva, Victoria Blecher e Sheila Bawar, além de pessoas com conexão profunda com a cidade.
•O Ministério Público do Pará abriu uma ação administrativa contra a empresa Águas do Pará, que assumiu em abril os serviços de fornecimento de água e coleta de esgoto em Santarém.
• A ação prevê acompanhar, fiscalizar e promover a adequação estrutural da prestação do serviço público de abastecimento de água no município de Santarém, abrangendo a identificação e o monitoramento de eventuais falhas estruturais, operacionais e informacionais na prestação do serviço.
•O ex-dirigente de futebol do Clube do Remo Marcos Braz assumiu uma cadeira na Câmara dos Deputados do Rio de Janeiro. Filiado ao PSDB, ele passa a ocupar a vaga deixada por Luciano Vieira.
•Conhecido nacionalmente pela passagem no futebol do Flamengo, Braz já tinha se lançado como pré-candidato ao cargo nas eleições deste ano. No Leão, Braz integrou a diretoria responsável pelo acesso da equipe azulina à Série A do Brasileirão.
• Alunos da Ufra em Tomé-Açu seguem desnorteados com a interdição dos blocos II e III pelo Corpo de Bombeiros, esta semana, em razão do surgimento de severas rachaduras e ameaça de desabamento.

