IníciopolíticaChef de cozinha relata à PF ameaças de grupo de Vorcaro

Chef de cozinha relata à PF ameaças de grupo de Vorcaro

Um ex-chef de cozinha que trabalhou por quase três anos para Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, relatou à PF (Polícia Federal) ter sido ameaçado por um bicheiro que fazia parte do grupo “A Turma” e agia em nome do então banqueiro.

O relato foi prestado por Leandro Garcia no inquérito que investiga Vorcaro. O depoimento foi tornado público nesta terça-feira (17) pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF (Supremo Tribunal Federal).

Segundo Garcia, ele trabalhou entre setembro de 2021 e março de 2024 como chef de cozinha na casa de praia de Vorcaro, em Angra dos Reis (RJ). Em depoimento, afirmou que sua relação com o empresário era distante. Segundo ele, o ex-banqueiro não falava diretamente com os funcionários, era o “mordomo” quem passava as demandas.

Garcia contou que deixou o emprego na casa do banqueiro para assumir uma vaga em um hotel que oferecia plano de saúde, pois pretendia realizar uma cirurgia. Foi nesse novo trabalho, segundo ele, que ocorreu a ameaça que relatou à PF.

De acordo com o depoimento, ao fim de um expediente, um grupo de ao menos seis pessoas o abordou. Um dos homens se apresentou como Manoel e disse que “mexia com o jogo”. O chef de cozinha foi questionado sobre se possuía o telefone da esposa de Vorcaro ou algum vídeo ou gravação da época que trabalhou na casa de praia.

Garcia afirmou que respondeu negativamente. Em seguida, segundo seu relato, Manoel disse ter levantado informações sobre a vida pessoal do chef e exibiu envelopes contendo dados como documentos e informações sobre seu veículo.

O ex-funcionário disse ainda que Sicário, um dos capangas de Vorcaro que tirou a própria vida após ser preso na operação Compliance Zero, também acompanhou o encontro, mas permaneceu em silêncio durante todo o tempo.

Garcia afirmou não ter relatado o episódio a ninguém por ter de fato se sentido ameaçado.

“Entendi o recado. Ele falou: ‘A gente não quer voltar aqui pra te atrapalhar’. Perguntou se eu morava ali perto.. então assim, tenho minha esposa, minha filha de 15 anos”, afirmou.

O ex-chef também relatou aos policiais que os funcionários da casa de praia do banqueiro eram orientados a não fazer registros da rotina da residência. “Eles tinham muito medo de que a gente tirasse foto de alguma coisa. A empresa pedia que a gente não registrasse nada e ficasse sem o celular”, declarou.

Os investigadores já haviam apontado a existência de uma estrutura conhecida como “A Turma”, suspeita de atuar na intimidação e vigilância de adversários e no acesso a informações sigilosas de processos judiciais em andamento, supostamente a serviço de Vorcaro.

Em mensagens obtidas pela PF nos celulares apreendidos, é possível ver conversas entre Vorcaro e Sicário em que o banqueiro pede para “irem pra cima” do chef de cozinha e de um capitão de barco.

O capitão Luis Felipe Woyceichoski, responsável pelo iate exclusivo no qual Daniel Vorcaro dava festas privadas em Angra dos Reis, disse que foi ameaçado de morte após registrar os danos que o ex-banqueiro e seus convidados fizeram na embarcação.

“Ele [Manoel] começou a esboçar para mim de forma muita intimidatória que sabia quem eu tinha sido, que tinha me visto no centro de Angra, horário em que eu entrava, que eu estava com a minha mulher e que tinha sido agente prisional em Goiás”, relatou o capitão, em depoimento à PF.

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