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Acidente com ônibus do IFPA: um ano depois, sobreviventes transformam dor em recomeço | Pará

A colisão entre um ônibus escolar e uma carreta na PA-125, em Paragominas, no sudeste do estado, completou um ano neste mês de junho. O acidente, que deixou 18 estudantes feridos, marcou a vida de várias famílias e transformou para sempre a trajetória de jovens que seguiam diariamente para o Instituto Federal do Pará (IFPA), campus Paragominas. As histórias de superação ajudam a dar novo significado e transformam o incidente em recomeço.

Na manhã de 16 de junho de 2025, um ônibus operado pela Prefeitura de Ipixuna do Pará transportava cerca de 40 estudantes para o IFPA quando colidiu na traseira de uma carreta na rodovia PA-125. De acordo com informações da Defesa Civil e da Secretaria Municipal de Educação, 18 alunos ficaram feridos, sendo nove em estado mais grave.

Acidente

Seis estudantes foram encaminhados ao Hospital Regional de Paragominas e outros três receberam atendimento em um hospital particular da cidade. Os demais foram levados à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e liberados após atendimento médico.

Segundo testemunhas ouvidas pela Polícia Rodoviária Estadual à época, os dois veículos trafegavam no mesmo sentido quando o caminhão teria freado bruscamente, não havendo tempo para que o motorista do ônibus evitasse a colisão.

Recomeço

Um ano depois, os impactos daquele dia ainda permanecem na memória dos sobreviventes. Entre eles está a estudante Ana Vitória, que utilizou as redes sociais para compartilhar detalhes do período que passou internada e do longo processo de recuperação após o acidente.

Em uma série de publicações, a jovem relembrou os momentos que antecederam a colisão e descreveu a mudança radical que a tragédia provocou em sua vida.

“A vida não avisa quando algo está acontecendo pela última vez. Quando li essa frase, só consegui lembrar do dia que antecedeu a minha morte. Sim, a minha morte”, escreveu.

Ana contou que o dia anterior ao acidente foi marcado por momentos simples ao lado da família, lembranças que passaram a ter um significado especial após a tragédia.

“Jantei com a minha família. Conversamos, demos risadas e tomamos picolé. Aproveitei cada minuto daquele dia incrível que, para mim, seria o último”, relatou.

Luta pela vida

Na manhã seguinte, ela embarcou no ônibus sem imaginar que passaria meses sem recordar qualquer acontecimento.

“Coloquei meu fone de ouvido, dobrei meu moletom e encostei na janela. A rotina seguia normal, como em todos os outros dias. Eu já estava dormindo. E é engraçado pensar que, depois daquele momento, eu só voltaria a lembrar da minha vida três meses depois”, escreveu.

Internada em estado grave, Ana passou cerca de três meses hospitalizada. Segundo ela, foram 72 dias entubada até recuperar a consciência.

“Quando acordei, já estava em um hospital. Eu havia sofrido um acidente a caminho da escola, ficado 72 dias entubada, passado três meses em um hospital e não tinha mais uma das pernas”, contou.

A estudante também revelou que enfrentou momentos de confusão e sofrimento ao compreender a gravidade das sequelas deixadas pelo acidente.

“A realidade era que eu estava perdida. Quanto mais os dias passavam, mais eu pensava que tudo aquilo era apenas um pesadelo”, afirmou.

Superação

Em seu relato, Ana disse ainda que foi uma das últimas vítimas retiradas das ferragens e que recebeu um prognóstico extremamente reservado da equipe médica. Segundo a jovem, os profissionais avaliavam que as chances de sobrevivência eram mínimas.

“Os médicos me deram 0,01% de chance de acordar. E, caso eu acordasse, acreditavam que ficaria em estado vegetativo, sem falar, enxergar, ouvir ou reconhecer as pessoas”, escreveu.

Contra as previsões iniciais, ela recuperou a consciência e iniciou uma longa jornada de reabilitação física e emocional.

“Quando acordei, eu falava, ouvia, enxergava e ainda reconhecia todo mundo”, relatou.

Ana atribui sua recuperação à fé e ao apoio recebido durante os meses de internação.

“Para os médicos, eu era um caso perdido. Contudo, eles não contavam que as orações de centenas de pessoas ajudariam a reverter aquele quadro. A morte virou vida. O luto virou alegria. O choro virou canto”, escreveu.

Um ano após o acidente, a data segue sendo lembrada pelos estudantes, familiares e pela comunidade acadêmica do IFPA. Ao mesmo tempo, histórias como a de Ana Vitória mostram como sobreviventes têm reconstruído suas vidas após a tragédia, transformando dor, perdas e desafios em exemplos de resistência e superação.

 

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