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Uma missão espacial chinesa acabou de alcançar Kamo’oalewa, uma das chamadas “quase-luas” que acompanham a Terra no Sistema Solar. A ideia agora é avançar para uma etapa ainda mais delicada: coletar amostras e tentar entender de onde esse objeto veio — algo que ainda não tem resposta fechada.
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A operação envolve a sonda Tianwen-2 e inclui uma tentativa de pouso e possível perfuração, algo que nunca foi feito nesse tipo de corpo celeste, comenta o LiveScience.

Uma companheira que não é bem uma lua
A Tianwen-2 foi lançada em maio de 2025 e tem como alvo principal o asteroide 469219 Kamo’oalewa, descoberto em 2016. Ele não orbita a Terra diretamente, mas segue uma trajetória ao redor do Sol muito parecida com a do nosso planeta, o que faz dele uma “quase-lua”.
Segundo informações de especialistas ligados à missão, a chegada ao objeto ocorreu em 7 de junho. O próximo passo é a tentativa de pouso marcada para 4 de julho. Se tudo funcionar como planejado, a sonda deve recolher cerca de 100 gramas de material e iniciar o caminho de volta à Terra, previsto para novembro de 2027.
E, no meio disso tudo, continuam algumas perguntas bem diretas:
- De onde esse asteroide realmente veio?
- Ele pode ter se soltado da Lua?
- Do que ele é feito por dentro?
- Qual é sua estrutura real?
- O que ele pode revelar sobre a formação do Sistema Solar?
Um objeto que ainda intriga os cientistas
A curiosidade em torno de Kamo’oalewa não é recente. Observações feitas em 2021 já mostravam que ele reflete a luz de forma muito parecida com a superfície lunar, o que reforçou a hipótese de uma origem ligada à Lua.
Em 2024, pesquisadores chegaram a apontar a cratera Giordano Bruno, no lado oculto da Lua, como possível ponto de origem. Mesmo assim, isso ainda não passou de uma hipótese em aberto.
“O que torna [esta missão] extraordinária é que ainda não sabemos a composição ou a origem [do objeto]”, explicou Li Chunlai, da Academia Chinesa de Ciências. “Só vamos ter respostas definitivas depois de concluir toda a exploração.”

Um pouso que pode ir além do convencional
Antes de qualquer contato com o solo do asteroide, a Tianwen-2 vai passar um período mapeando a superfície. A ideia é escolher o melhor ponto possível para reduzir riscos.
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Se o terreno for mais solto, a coleta deve ser feita com um braço robótico, em um método mais “leve”, já usado em outras missões. Mas, se a superfície for mais firme, o plano muda bastante: a sonda pode pousar, se fixar no asteroide e até perfurar a rocha — uma abordagem inédita nesse tipo de exploração.
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“Estou curioso para descobrir a resposta sobre sua origem, já que o debate sobre sua [potencial] origem lunar ainda está muito aberto”, comentou Marco Fenucci, pesquisador da Agência Espacial Europeia.
Mais do que resolver um mistério específico, a missão também ajuda a ampliar o conhecimento sobre asteroides próximos da Terra. Esses objetos podem guardar pistas importantes sobre a formação do Sistema Solar e, no futuro, até apoiar estratégias de defesa planetária.
Depois dessa etapa, a Tianwen-2 ainda deve seguir viagem rumo a outro alvo distante: o objeto 311P/PanSTARRS.
Valdir Antonelli
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

