A Guarda Revolucionária do Irã e o comando militar do país afirmaram, neste sábado (20), terem fechado novamente o estreito de Hormuz ao tráfego de embarcações. Segundo as autoridades iranianas, o tráfego de navios será interrompido por violações do acordo de cessar-fogo firmado com os Estados Unidos e Israel.
Em comunicado, a Guarda disse para embarcações evitarem o caminho marítimo sob risco de comprometerem sua segurança. Os iranianos citaram os ataques israelenses ao Líbano, que deixaram 16 mortos no sul do país, como estopim para a medida em Hormuz.
Apesar do anúncio de Teerã, os EUA afirmam que a passagem está abertaMinistério. Segundo o Exército americano, 55 embarcações navegaram pelo estreito neste sábado, levando 17 milhões de barris de petróleo. O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, afirmou em entrevista à Fox News nesta manhã que não há evidências de que o tráfego em Hormuz tenha sido interrompido pelo Irã.
Poucas horas antes, ataques aéreos israelenses ao Líbano marcaram mais uma violação de cessar-fogo —este, um acordo firmado na sexta-feira (19), após a morte de 47 pessoas em bombardeios.
Israel afirmou agir em reação a ataques do Hezbollah, que teria lançado foguetes contra o território do vizinho. Já o grupo apoiado pelo Irã afirma estar comprometido com a trégua, mas diz que não hesitará em confrontar qualquer tentativa israelense de controle sobre território libanês.
Em comunicado, o Hezbollah informou ter atacado tropas israelenses que avançavam em direção a Nabatieh, no sul do Líbano. Segundo um oficial militar israelense, o grupo disparou mais de 50 projéteis ao longo da noite. O Hezbollah diz não aceitar que forças israelenses tenham liberdade de movimento em território libanês.
O exército de Israel, por sua vez, afirmou estar comprometido com o acordo de cessar-fogo, mas afirma que irá continuar a reagir a quaisquer ameaças.
Segundo a agência estatal libanesa NNA, os aviões e drones israelenses atingiram localidades no sul do Líbano e no vale do Bekaa que são redutos do Hezbollah. Um dos ataques mais mortais da noite atingiu um prédio residencial em Barish, matando um casal e seus dois filhos. O exército libanês afirma, ainda, que um soldado morreu em um ataque na estrada de Kfarrumman-Nabatieh.
Uma porta-voz do exército israelense afirmou que a paz e a estabilidade poderiam ser alcançadas se o Hezbollah cessasse o que ela descreveu como atividades hostis. Ela disse que a presença israelense no Líbano tem o objetivo de desmantelar a estrutura do grupo, não de prejudicar civis.
O Ministério da Saúde libanês também declarou neste sábado que o conflito chegou à marca de 4.000 mortes desde 2 de março, incluindo socorristas, mulheres e crianças. Israel diz ter perdido quatro civis e 32 soldados.
O cessar-fogo entre Hezbollah e Israel é parte de um acordo provisório firmado entre Washington e Teerã nesta semana. O pacto exige que os países e seus aliados cessem hostilidades. Israel, porém, ficou de fora das negociações e declarou não ser parte do acordo. O país diz que vai manter a ocupação de 5% do território libanês.
O acordo tem duração inicial de 60 dias e abre caminho para negociações entre os Estados Unidos e Irã que podem tornar o pacto duradouro. O objetivo é reabrir as operações do estreito de Hormuz e estabilizar os mercados globais de petróleo. Paquistão e Qatar lideram a mediação.
O conflito já matou ao menos 8.000 pessoas, principalmente no Irã e no Líbano, e pressionou os preços de energia globalmente.

