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Só descarrego para tirar a caninga que atormenta a gestão de Igor Normando

N

ão há uma semana em que novas denúncias não atinjam a atual
gestão da Prefeitura de Belém. A mais recente surgiu na sexta-feira, 19, quando
circulou nas redes sociais uma denúncia envolvendo o então superintendente da
Secretaria de Cultura, Aiuá Reis Queiroz.

Sucessão de trapalhadas amplia leque de desgaste do prefeito de Belém e levanta questionamentos sobre escolhas no secretariado/Fotos: Divulgação.

Segundo o material divulgado, Aiuá teria admitido, durante
uma reunião de trabalho gravada, a intenção de utilizar um procedimento
irregular para viabilizar o pagamento de avaliadores que atuaram no Carnaval
deste ano e que, até hoje, não receberam os valores contratados.

 O episódio também
reacendeu questionamentos sobre os critérios adotados para a composição da
equipe da área cultural da prefeitura. Engenheiro de produção e desenvolvedor
full stack, Aiuá não possui trajetória conhecida no setor cultural. Nas últimas
semanas, outras nomeações também chamaram atenção, como a de uma estudante de
Odontologia para a função de secretária-adjunta da Secretaria e a de um
professor de Matemática para a direção do Museu de Arte de Belém.

Jurados sem receber

 Os jurados do
Carnaval aguardam desde fevereiro o pagamento do cachê de R$ 3 mil previsto em
contrato. Segundo a denúncia, o pagamento estaria sendo cogitado por meio de um
edital vinculado ao concurso de quadrilhas juninas, mecanismo rejeitado pelos
profissionais envolvidos, que decidiram denunciar a situação. A repercussão foi
imediata. O prefeito Igor Normando determinou a exoneração de Aiuá Reis Queiroz
e anunciou a apuração dos fatos.

 Em nota divulgada nas
redes sociais, o prefeito afirmou que sua gestão “não compactua com qualquer
prática que esteja em desacordo com a lei, com a ética e com os princípios que
norteiam o serviço público”. Normando acrescentou que determinou a exoneração
imediata do servidor e a apuração dos fatos “com transparência e
responsabilidade”.

Falta de pagamento

 Um ponto da
manifestação oficial, porém, continua gerando questionamentos. A nota informa
que “todos os jurados do Carnaval da prefeitura serão pagos dentro da
legalidade”, mas não estabelece qualquer prazo para a quitação da dívida.

 A ausência de uma
data alimenta dúvidas entre os profissionais que aguardam o recebimento há
meses. Também permanece sem resposta a pergunta sobre o destino dos recursos
originalmente destinados ao pagamento dos jurados. Se o dinheiro estava
previsto para essa finalidade, por que os trabalhadores precisaram recorrer a
denúncias públicas para cobrar o que lhes era devido?

Arraial sem clima

As críticas à gestão cultural da prefeitura não se
restringem ao Carnaval.

Na quinta-feira, 18, o público que compareceu à Praça
Dorothy Stang, na Sacramenta, para acompanhar a fase classificatória do
concurso de quadrilhas juninas encontrou um cenário distante do esperado para
um dos principais eventos do calendário cultural paraense. O evento reúne 34
grupos de quadrilha e 136 misses juninas, com apresentações programadas até o
dia 21.

 Segundo a prefeitura,
foram investidos quase R$ 2 milhões em uma programação que contempla 129
propostas culturais, incluindo quadrilhas, grupos de carimbó, bois-bumbás,
parafolclóricos, grupos de toadas, pássaros juninos e cordões de bichos.

 Estrutura vira alvo

 Apesar dos números
divulgados, participantes e espectadores reclamaram da falta de estrutura
básica. Vídeos publicados nas redes sociais mostram a ausência de decoração
temática no espaço. Nem mesmo bandeirinhas juninas teriam sido instaladas. Em
outra cena, trabalhadores da limpeza aparecem utilizando leques para retirar
areia do tablado, diante da falta de vassouras adequadas.

A transferência das apresentações para a Praça Dorothy Stang
também gerou insatisfação entre grupos juninos e frequentadores. Segundo
relatos, o local apresenta dificuldades de acesso e não oferece condições
adequadas para artistas nem para o público.

 Entre as reclamações
estão a ausência de piso apropriado para as apresentações, falta de proteção
contra chuva, problemas de sonorização, escassez de cadeiras, deficiência de
acessibilidade, insuficiência de arquibancadas, banheiros inadequados, iluminação
precária e falta de sinalização. Representantes dos grupos afirmam que a
estrutura oferecida coloca em risco a integridade física dos dançarinos e
compromete a qualidade das apresentações.

Cultura pede respeito

Uma nota divulgada nas redes sociais resumiu o sentimento de
parte dos participantes: “A cultura junina em Belém merece respeito. Colocar
dançarinos em risco, oferecer espaços sem segurança e sem conforto para o
público é desvalorizar anos de luta de quem mantém essa tradição viva. A
cultura junina precisa ser tratada com seriedade, planejamento e respeito. Não
podemos aceitar que artistas e brincantes sejam expostos a condições precárias
enquanto entregam o melhor de si no tablado.”

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