Só aí, dois polos de forte influência sobre Lula se formaram em seu terceiro mandato: Jaques, o de apelo pessoal; e Costa, o de força institucional.
Chamado a ser uma espécie de guardião do gabinete presidencial, Rui levou a missão a sério. Ganhou fama de leão de chácara e antipático, colecionou embates na Esplanada e deixou uma série de feridos pelo caminho.
São muitos os nomes listados como “vítimas” da República da Bahia no governo Lula 3. A começar pelo ex-presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, que era do PT e foi defenestrado do cargo. Flávio Dino, então ministro da Justiça, também era alvo frequente das críticas do grupo, mais especificamente de Rui Costa.
Dino não era do PT, mas tinha costas largas. Perfil quase único, viveu postos de destaque nos Três Poderes. Antes de sair do ministério para o STF (Supremo Tribunal Federal), disse a mais de um interlocutor que o então chefe da Casa Civil falava “mal” dele “todos os dias, inclusive aos gritos, arrastando outros integrantes do governo para um mesmo movimento de isolamento e descredibilização”.
Outro membro do primeiro escalão que travou embates abertos com o então chefe da Casa Civil foi Fernando Haddad, quando ministro da Fazenda. Ali, houve um choque de gigantes. Se Rui, ladeado por Jaques, tinha dupla fonte de escuta nos ouvidos de Lula, Haddad tinha a força de quem fez por Lula o que, na dupla, nenhum dos dois se dignou a fazer na hora mais escura já vivida pelo petista: a prisão.
Amigos de Haddad lembram que, quando o presidente estava preso, em 2018, Jaques foi o primeiro a ser sondado por Lula para representá-lo na eleição daquele ano. Declinou. Assim como fez em 2022, optou pelo caminho mais cômodo e seguro para si. Naquela época, era concorrer ao Senado.

