A musculação pode estar associada a uma vida mais longa quando praticada com regularidade e combinada a exercícios aeróbicos. Um estudo publicado em 2 de junho no British Journal of Sports Medicine acompanhou 147.374 adultos por até 30 anos e identificou menor risco de morte entre aqueles que mantiveram treinos de força ao longo do período.
Os pesquisadores analisaram dados de três grandes estudos realizados nos Estados Unidos: Health Professionals Follow-Up Study, Nurses’ Health Study e Nurses’ Health Study II. A amostra reuniu 31.540 homens e 115.834 mulheres, com idade média inicial de 54 anos. A cada dois anos, os participantes informavam quanto tempo dedicavam à musculação e a atividades aeróbicas.
Benefícios da musculação para a saúde
Os melhores resultados apareceram entre pessoas que praticavam de 90 a 119 minutos de exercícios de força por semana. Nesse grupo, o risco de morte por qualquer causa foi 13% menor em comparação com quem não fazia esse tipo de treinamento. A associação também indicou redução de 19% nas mortes por doenças cardiovasculares e de 27% nas provocadas por doenças neurológicas, como demências.
O levantamento mostrou que ultrapassar duas horas semanais de musculação não trouxe redução adicional do risco geral de morte. Para óbitos por câncer, as associações mais favoráveis foram observadas com volumes menores: de um a 29 minutos semanais, com redução de 21%, e de 30 a 59 minutos, com queda de 18%.
Combinação de exercícios e longevidade
A maior vantagem apareceu na combinação entre força e atividade aeróbica. Participantes que acumulavam níveis elevados de caminhada, corrida, ciclismo, natação ou outras práticas aeróbicas e faziam de uma a duas horas de musculação por semana apresentaram risco de morte até 45% menor do que pessoas pouco ativas e sem treino de resistência.
“Para pessoas menos ativas, a principal mensagem é que pequenas quantidades ainda podem fazer diferença”, afirmou Edward Giovannucci, professor de Nutrição e Epidemiologia de Harvard e um dos autores. Segundo ele, criar uma rotina gradualmente pode ser mais importante do que tentar realizar grande volume de exercícios de uma só vez.
Limitações do estudo e recomendações
O trabalho, porém, não prova que a musculação, isoladamente, seja responsável pelo aumento da longevidade. Trata-se de um estudo observacional, baseado em informações relatadas pelos próprios participantes. Pessoas que treinavam força também tendiam a apresentar outros hábitos mais saudáveis, embora os cientistas tenham ajustado os cálculos para alimentação, tabagismo e atividade aeróbica.
Os autores também não avaliaram com precisão a intensidade de cada sessão e não incluíram algumas modalidades, como Pilates. Ainda assim, os resultados reforçam recomendações que defendem a combinação de atividades aeróbicas com exercícios para os principais grupos musculares.
Além da possível relação com a longevidade, o fortalecimento muscular ajuda a preservar mobilidade, equilíbrio e independência durante o envelhecimento. Pessoas sedentárias, com doenças crônicas ou limitações físicas devem iniciar a prática de forma progressiva e com orientação profissional.

