Um terremoto de forte intensidade foi sentido em Cabul e em regiões do norte do Paquistão neste sábado (27), segundo testemunhas ouvidas pela agência de notícias Reuters. Moradores relataram tremores prolongados. Não há informações oficiais sobre vítimas ou danos materiais.
De acordo com o Centro Sismológico Euro-Mediterrânico (EMSC), o abalo sísmico teve magnitude 6 e ocorreu na região do Hindu Kush, no Afeganistão —área historicamente sujeita a atividade sísmica frequente devido à colisão entre placas tectônicas.
Na medição do USGS (Serviço Geológico dos Estados Unidos), a magnitude foi 6,1, com epicentro localizado no nordeste do Afeganistão, a uma profundidade de mais de 208 quilômetros. O sismo abalou províncias do leste do país, especialmente Khost e Nangarhar, e também foi sentido em Islamabad, capital do Paquistão, segundo a agência de notícias AFP.
Pessoas saíram correndo de suas casas em pânico no distrito de Swat, na província de Khyber Pakhtunkhwa, no norte do Paquistão, disse o morador Daniyal Ahmad à Reuters. “Foi muito forte aqui em Swat e durou bastante tempo”, afirmou. “As pessoas saíram de suas casas, e mulheres e crianças foram vistas chorando em pânico.”
O episódio ocorre poucos dias após os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram a Venezuela, em 24 de junho, e deixaram ao menos 920 mortos, segundo o balanço mais recente divulgado pelas autoridades locais, além de milhares de feridos e desaparecidos.
Na Venezuela, os tremores provocaram o colapso de centenas de estruturas, com danos concentrados especialmente no estado costeiro de La Guaira e em áreas da região metropolitana de Caracas. O governo declarou estado de emergência, mobilizou forças militares para operações de resgate e restringiu o acesso a zonas mais afetadas, sob o argumento de priorizar equipes de salvamento.
Os números de vítimas foram revisados sucessivamente ao longo dos dias, à medida que equipes alcançavam áreas isoladas e prédios colapsados, um padrão comum em grandes desastres sísmicos de alta intensidade. Autoridades também confirmaram a atuação de equipes internacionais de resgate e o envio de ajuda humanitária de diversos países.
Os terremotos ocorrem devido ao movimento das placas tectônicas, grandes blocos da crosta terrestre que “flutuam” sobre o manto, camada mais quente e viscosa do interior do planeta. Quando essas placas se deslocam, podem se chocar, se afastar ou deslizar lateralmente, acumulando energia que é liberada de forma súbita na forma de ondas sísmicas.
Regiões como o Hindu Kush estão entre as mais suscetíveis a esse tipo de evento por estarem próximas a zonas de colisão entre placas, onde forças geológicas intensas moldam cadeias montanhosas e geram falhas ativas na crosta. Esse mesmo tipo de dinâmica explica a recorrência de grandes terremotos em outras partes do mundo, como o Chile, o Japão e o Himalaia.
Na Venezuela, por exemplo, terremotos recentes de grande magnitude também foram associados ao encontro entre a Placa Sul-Americana e a Placa do Caribe, em uma área marcada por falhas geológicas ativas. Esse tipo de configuração ajuda a explicar por que alguns países concentram eventos sísmicos mais frequentes e mais intensos.
Especialistas destacam, porém, que apesar de o mecanismo físico ser bem conhecido, ainda não é possível prever com precisão quando um terremoto vai ocorrer ou qual será sua magnitude exata.

