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Análise: Saldo da semana é mais desafiador para Flávio, sem tempo e unidade

Nesta semana, dois acontecimentos pesaram tanto para o governo, quanto para a oposição. O primeiro foi a investigação envolvendo o ex-líder do governo do Senado, Jaques Wagner (PT-BA), alvo de busca e apreensão no âmbito do caso Master. Politicamente, este episódio tem potencial para gerar desgaste para o Palácio do Planalto.

Em um primeiro momento, Wagner tentou permanecer no cargo, afirmando que contava com a confiança do presidente Lula. Essa declaração acabou repercutindo mal entre os governistas. Com isso, ele deixou a função para se dedicar à sua defesa.

Alguns trackings de pesquisas já indicam um impacto negativo, ainda que discreto. A situação reforça uma vulnerabilidade conhecida do PT (Partido dos Trabalhadores), nos temas relacionados à corrupção.

Uma pesquisa Arko Advice e Atlas/Intel, divulgada com exclusividade pela CNN há cerca de dois meses, já mostrava esse fator como um dos principais pontos de rejeição ao partido e de não-voto no presidente Lula.

Curiosamente, a oposição acabou não conseguindo capitalizar esse momento de fragilidade do governo. Isso porque, ainda na mesma semana, surgiu um novo foco de desgaste dentro do próprio campo bolsonarista.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) divulgou um vídeo dizendo ter sido tratada de forma ríspida e desrespeitosa pelo senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). É um episódio muito danoso para a campanha de Flávio.

Michelle é uma liderança importante junto ao eleitorado evangélico e preside o PL Mulher. O grupo está presente nas 27 unidades da federação, e poderia desempenhar um papel importante para reduzir uma dificuldade histórica da família Bolsonaro: o desempenho entre o eleitorado feminino.

Mesmo que haja uma reconciliação, o episódio levanta dúvidas sobre o grau de engajamento dela na campanha presidencial. Além disso, o vídeo alimenta especulações, que nesse momento ainda não tem base concreta, sobre uma eventual mudança de candidatura dentro do campo bolsonarista.

No entanto, somente a circulação desses rumores já traz certos danos políticos, podendo incentivar críticas de outros nomes da centro-direita. Internamente, pode dificultar negociações em palanques estaduais e aumentar a pressão para que o senador acelere decisões importantes, como a escolha do candidato à vice.

Outro movimento importante da semana foi a decisão de Flávio Bolsonaro de participar de uma audiência pública da USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA). A estratégia é tentar evitar que o governo consiga explorar politicamente eventuais tarifas dos americanos contra o Brasil.

Um outro tema que pode ganhar novos desdobramentos a partir da próxima semana é a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do Fim da Escala 6×1.

No dia 1º de julho, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), se reúne com centrais sindicais e, a partir desse encontro, pode anunciar o início da tramitação da proposta no Senado. Ainda assim, a expectativa é de pouca evolução nesse semestre.

No fim das contas, as últimas semanas têm sido desconfortáveis para os dois principais campos políticos.

O governo enfrenta o desgaste provocado pela classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos e, agora, também pelo caso Jaques Wagner. Já Flávio Bolsonaro precisa administrar tanto a discussão sobre as tarifas americanas quanto, principalmente, a crise aberta pelo vídeo de Michelle Bolsonaro.

Ou seja, governo e oposição acumularam argumentos para atacar o adversário. Mas, no saldo da semana, o cenário parece mais desafiador para o senador Flávio Bolsonaro.

Diferentemente do governo, é ele quem precisa crescer nas pesquisas, reduzir sua rejeição e consolidar uma candidatura nacional.

A crise envolvendo Michelle Bolsonaro tem potencial para produzir efeitos que vão muito além de um episódio isolado, afetando a unidade do bolsonarismo justamente no momento em que a campanha precisa transmitir coesão.

E para um candidato que ainda precisa conquistar espaço junto ao eleitorado, tempo e unidade são dois ativos que fazem muita diferença.

* Lucas de Aragão é sócio da Arko Advice. Este texto foi transcrito em primeira pessoa de análise em vídeo para o WW

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