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Classificação na Copa vira festa nas ruas de Cabo Verde – 27/06/2026 – Esporte

O futebol de Cabo Verde vive seu ápice com a classificação da seleção para a fase de 32 da Copa do Mundo, feito conseguido na primeira participação do arquipélago de 4.033 km quadrados, cerca de 500 mil habitantes e que tem o português e o crioulo como línguas oficiais.

Os Tubarões Azuis conseguiram a proeza –impensável para muitos– após empate sem gols com a Arábia Saudita, o terceiro empate na fase de grupos, e garantiram o segundo posto da chave com três pontos. A classificação contou com a preciosa ajuda da Espanha, que venceu por 1 a 0 e relegou os uruguaios para o terceiro posto.

Depois de exibições que surpreenderam o mundo e após parar duas seleções campeãs mundiais, o país vivia a expectativa de conseguir, diante dos sauditas, sua primeira vitória na competição. Em tese a partida apresentaria menor grau de dificuldade, mas, à medida que o tempo passava e o gol da tranquilidade não acontecia, o nervosismo ia tomando conta dos torcedores, que se uniram por esta causa nacional.

Na capital, centenas de pessoas se concentraram na Praia da Gamboa, em um festival para assistir ao jogo em um telão. A festa da classificação invadiu a madrugada com explosões de alegria, buzinas e muita música ao vivo. Em vários pontos do território, muitos acompanharam em fanzones. Na diáspora, emigrantes reuniram-se em diversos países para viver este momento muito aguardado.

O palco dos jogos não poderia ter sido melhor. É nos Estados Unidos que está radicada a maior comunidade de cabo-verdianos, o que tem garantido um forte apoio das arquibancadas, motivado os atletas e impulsionado o desempenho dentro das quatro linhas.

O modelo de jogo montado pelo treinador Pedro Brito, conhecido como Bubista, –que tem unido o arquipélago e encantado o mundo– é baseado precisamente na essência do cabo-verdiano. Uma mescla de jogadores nascidos no país e filhos de emigrantes.

De país inviável que não aguentaria seis meses, Cabo Verde completa 50 anos independente de Portugal. Sem riquezas naturais, enfrenta falta de chuva, escassez de água, desertificação, entre outros problemas, mas que não vira a cara a luta. Um povo habituado a lutar para existir. O espírito de luta, de sacrifício e a vontade de vencer é transportado para dentro do campo e transformado em motivo de alegria para milhares de cabo-verdianos cuja esperança nunca morre.

O desempenho da seleção tem conquistado a simpatia de muitas nações, principalmente o Brasil. Muitos torcedores brasileiros têm manifestado sua admiração nas redes sociais e dizem que adotaram Cabo Verde como sua segunda seleção. O apoio tem sido tão forte que tirou do anonimato o goleiro Vozinha, o transformou em uma celebridade na internet e ampliou o feito dos Tubarões Azuis.

Tudo isso tem contribuído para dar ao país uma visibilidade jamais vista. Deixamos de ser um país que nem aparecia em muitos mapas ou que era representado por um pontinho –e que a Fifa confundiu com a cidade de Cabo Verde, em Minas Gerais. Isto vai ter um reflexo grande na atração de turistas para visitarem o país, onde o turismo é um dos principais setores econômicos.

Além do futebol, a participação no Mundial está a fazer o mundo conhecer a moda e a culinária cabo-verdiana, com destaque para a cachupa, um prato tradicional feito com milho e feijão e que tem dado energia aos jogadores.

No início Cabo Verde, tinha 1% de chance. Agarrou-se em 99% de fé e coragem, foi à luta e passou de fase. Pela frente terá mais uma campeã mundial, vai ser mais uma luta, sem medo de ser feliz. Mais uma vez os cabo-verdianos –que fazem parte das raízes do Brasil– contam com a torcida e as energias positivas vindas dos irmãos brasileiros.

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