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Cidadania é um detalhe: quase 1/4 dos jogadores da Copa defendem outros países

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uem não gostaria de disputar uma Copa do Mundo? Até a Luiza, que está no Canadá, gostaria. Dos 1.248 atletas convocados para o Mundial, 292 não nasceram nos países pelos quais defenderão a bandeira – uma média de um a cada quatro jogadores na Copa. Os motivos são variados e vão de naturalização tardia à captação ativa de descendentes com potencial de agregar esportivamente ao país.

É também uma forma de tornar mais forte seleções que deixavam a desejar em desempenho e entusiasmo até mesmo nas eliminatórias. Mundialmente, o fenômeno é conhecido como efeito dos descendentes de diásporas, filhos de pessoas que em algum momento precisaram fugir ou abandonar seus países de origem, levando para um novo continente ou nação o pouco que lhes restou.

O negócio é que, muitas vezes, o pouco se torna muito quando entre as crias está um futuro talento do futebol. 

Quem participa celebra, mas não esquece

Durante alguns segundos, o meia Yasin Ayari fez a partida de estreia da Copa do Mundo da Suécia, anteontem, parecer um duelo contra um ex-clube ao deixar de comemorar o primeiro gol da vitória por 5 a 1 sobre a Tunísia. A resposta para o mistério que fez torcedores coçarem a cabeça veio em sua árvore genealógica: o pai do jogador é tunisiano e, em respeito à sua ascendência, ele escolheu ser mais comedido.

Com o número recorde de 48 seleções, um Mundial ainda mais globalizado ampliou também as histórias de atletas com diferentes origens, podendo tornar cenas como essa mais comuns. Um exemplo é o goleiro Luca Zidane, filho da lenda francesa Zinedine Zidane. O arqueiro de 28 anos nasceu e foi criado na Europa, defendeu a França nas divisões de base e atua no Granada, da segunda divisão espanhola.

Ainda assim, aceitou o convite para sua primeira convocação pelo país de seus avós, a Argélia, em outubro de 2025, meses antes do Mundial. A escolha rendeu o destaque na Copa de Nações Africana, em janeiro passado, quando passou três dos quatro jogos em que atuou sem levar gols. Na Copa, chegou como um dos principais nomes da seleção. Dos 26 argelinos convocados, 16 não nasceram no país.

De olho nos talentos

Os países africanos, ainda mais depois de Marrocos chegar à semifinal do último Mundial, aumentaram esse processo de captação de talentos na diáspora.

O atacante Assane Diao, de 20 anos, do Senegal, foi criado na Espanha, jogou nas categorias de base do país e era dado como certo na Fúria, mas descartou o convite e passou a vestir a camisa senegalesa, que conta ainda com outros 11 com dupla nacionalidade. A maior parte de descendentes franceses, por conta do histórico colonial.

Na seleção de Curaçao, que estreou em Copas – apenas o atacante Tahith Chong, do Shefield United, da Inglaterra, nasceu no país caribenho. Esta foi a seleção formada com maior número de jogadores originários de outro território. Foram Chong, todos os demais nasceram na Holanda, que fez do país insular sua colônia por mais de 370 anos.

De acordo com a Fifa, somente oito das 48 seleções contam apenas com jogadores nascidos em seus países: Brasil, Colômbia, Tchéquia, África do Sul, Arábia Saudita, Suécia, Áustria e Panamá. Ainda assim, o Brasil, por exemplo, é dirigido por um italiano. E que ele nos traga a felicidade que todos esperam há 24 anos. Sobretudo aqueles que nunca viram o Brasil ganhar um mundial.

Copa e Números

1.000 dias – foi o jejum de Neymar na Seleção. Ele voltou a campo aos 31 do segundo tempo, na vitória contra a Escócia. O estádio foi à loucura!

24 anos de Mundiais – todo respeito a Messi, Cristiano Ronald e Guilhermo Ochoa, os únicos a disputarem seis Copas do Mundo!

1.300 jogadores – espalhados pelo mundo. É o número de brasileiros jogando futebol, atualmente, em todo o planeta.

400 mil pessoas – se reuniram no Paseo de la Reforma para comemorar a vitória do México sobre a Tchéquia. Os mexicanos têm vivido a Copa como ninguém.

495 – é a quantidade de combinações possíveis para classificar os oito melhores terceiros colocados na Copa de 2026.

9 gols – é a marca individual de Neymar contra o Japão em cinco jogos pela Seleção. Foram dois em 2012, um em 2013, quatro em 2014, um em 2017 e um em 2022.

14 jogos – é o total de vezes que Brasil e Japão já se enfrentaram, com 11 vitórias brasileiras, dois empates e apenas uma vitória do Japão.

173 gols – é o novo recorde de gols marcados numa Copa. A marca era do Mundial do Catar e foi quebrada no 1 a 0 para os EUA contra a Turquia, na quinta, 25.

91 anos – é a idade do jornalista mais velho trabalhando nesta Copa. O argentino Enrique Macaya Marques já cobriu 18 mundiais.

8 jogos – ao apitar Holanda x Marrocos, já na 2ª fase, Wilton Pereira Sampaio se iguala a Carlos Eugênio Simon como brasileiros que mais apitaram jogos em mundiais. Caso Pereira apite mais um, se isola no recorde.

Foto: Divulgação

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Pedro Paulo Blanco é jornalista

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