O Projeto Choro do Pará, da Fundação Cultural do Estado do Pará (FCP), celebra 20 anos com uma grande roda de choro. O evento gratuito ocorre nesta quarta-feira, 1º de julho de 2026, a partir das 18h, no Teatro Margarida Schivasappa, em Belém. Mais de 80 instrumentistas participarão da noite festiva.
Com foco na formação de instrumentistas, fomento e difusão do choro, o projeto foi criado na gestão de Jaime Bibas. Ele era presidente do Instituto de Artes do Pará (IAP), órgão posteriormente incorporado à FCP. A iniciativa visa perpetuar a tradição do choro na região.
Repertório e convidados especiais
O repertório especial da roda de choro contará com 11 composições. Serão apresentadas obras clássicas de Pixinguinha, como ‘Rasga’, ‘Carinhoso’ e ‘Cochichando’. Além disso, o público poderá ouvir ‘Proezas de Solon’, ‘Devagar e Sempre’, ‘Soluçando’ e ‘Meu Sabiá’.
A representação musical local terá quatro obras de autores paraenses. A pianista Adriana Azulay fará participação especial, executando ‘Cheiros do Pará’, de Sebastião Tapajós. Os músicos Luiz Pardal e Adamor do Bandolim tocarão suas criações ‘Amor pra Dar’ e ‘Chegou o Zé’. A composição ‘Mela o Beiço’, de Elzamon Bitencourt, será interpretada por seu filho, Nelson Bitencourt.
A importância do Projeto Choro do Pará
Para o professor e músico Paulo Moura, coordenador do projeto, o Choro do Pará é uma ‘escola de ensino não formal’. Ele destaca que a iniciativa ‘atende a todos os músicos profissionais, amadores, aqueles que querem conhecer o gênero choro’. A gratuidade e os 20 anos são pontos de grande importância para a formação musical na região.
Moura ressalta que é ‘a primeira escola de choro do norte’, responsável por formar ‘muitos músicos e muitos grupos’. Ele contextualiza o choro como ‘o primeiro gênero forjado no Brasil’, com fusão de polcas e danças europeias com ritmos africanos e o batuque.
Choro: a história do gênero musical no Brasil
O choro, também conhecido como chorinho, surgiu por volta de 1870 no Rio de Janeiro. Sua origem se deu como uma forma abrasileirada de tocar gêneros europeus. Dentre eles, destacam-se a polca, a valsa e a mazurca, misturadas com ritmos africanos.
Considerado a primeira música popular tipicamente urbana do Brasil, o choro celebra 156 anos de existência, de 1870 até 2026.
Grandes nomes do choro nacional e paraense
A história do choro é marcada por grandes instrumentistas e compositores brasileiros. Entre eles, destacam-se o flautista Joaquim Callado, considerado o precursor do choro, e Chiquinha Gonzaga. Outros nomes incluem Ernesto Nazareth, Benedito Lacerda, Pixinguinha, Jacob do Bandolim e Waldir Azevedo.
A lista segue com Clara Sverner, o próprio Paulo Moura, Raphael Rabello e Ademilde Fonseca. Henrique Cazes, o grupo Nó em Pingo D’Água, Hermeto Pascoal, Paulinho da Viola, Hamilton de Holanda e Yamandu Costa também são figuras proeminentes do gênero.
No cenário paraense, diversos artistas e grupos contribuem para a difusão do choro. Nomes como Aldemir Ferreira, Gilson Rodrigues, Adamor do Bandolim e Andreia Pinheiro são referência na região. Biratan Porto, Yuri Guedelha e Diego Xavier também se destacam.
Grupos como Gente do Choro, O Mercado do Choro e O Charme do Choro enriquecem a cena local. Eles representam a força e a diversidade dos chorões e choronas do Pará.
Serviço
- Evento: Roda de choro pelos 20 anos do Choro do Pará
- Quando: Quarta-feira, 1º de julho de 2026, às 18h
- Onde: Teatro Margarida Schivasappa, no Centur, Av. Gentil Bittencourt, 650 – Batista Campos, Belém – PA
- Entrada: Franca

