A referência da música paraense, Dona Onete, completou 87 anos nesta quinta-feira (18). Conhecida como a “rainha do carimbó chamegado”, a artista construiu uma trajetória marcada pela valorização das tradições da Amazônia e pela capacidade de levar os ritmos paraenses a públicos de diferentes partes do Brasil e do mundo.
Dona Onete se tornou um exemplo de perseverança, talento e orgulho das raízes amazônicas a partir da carreira construída a partir dos seus 62 anos, quando já estava aposentada de sua profissão como professora de história no Pará.
Da sala de aula aos palcos
Nascida dia 18 de junho de 1939, em Cachoeira do Arari, na Ilha do Marajó (PA), Dona Onete dedicou boa parte da vida à educação. Antes de se tornar conhecida nacionalmente, trabalhou como professora e participou ativamente de iniciativas voltadas para a preservação da cultura popular paraense. Inclusive, utilizava a música como principal ferramenta pedagógica.
“Me diziam: ‘Larga de ser professora, você canta muito bem’. E eu dizia: ‘Não, primeiro eu vou me aposentar, porque e se não der?’ Eu não tinha dinheiro e tinha dois filhos para criar’”, lembrou em entrevista à BBC News Brasil.
A música sempre esteve presente em sua vida, mas foi apenas depois de sua aposentadoria que iniciou a carreira musical. O coletivo Rádio Cipó descobriu o talento de Onete acidentalmente enquanto ela cantava na rua, aos 62 anos de idade. A partir disso, lançou seu primeiro álbum, Feitiço Caboclo, em 2012. A combinação entre carimbó, bolero e guitarrada conquistou não só os paraenses, mas também o mundo todo.
Porém, foi a composição No Meio do Pitiú que alavancou a carreira da cantora. A faixa é o principal destaque do álbum Banzeiro, lançado originalmente em 2017, que estourou no Brasil à fora.
Legado para a cultura paraense
Dona Onete se tornou um símbolo da valorização da identidade amazônica. Sua trajetória mostra como a arte pode preservar memórias, fortalecer tradições e conectar diferentes gerações. Aos 87 anos, ela segue sendo uma das personalidades mais admiradas da cultura paraense, deixando um verdadeiro legado para quem aprecia suas canções.
- Estagiária sob supervisão de Clayton Matos

