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Chuva e vulnerabilidade social aumentam acidentes com serpentes no Pará

Um estudo publicado pela em revista científica Tropical Medicine & International Health, mostra que chuva, cheias e vulnerabilidade social aumentam risco de acidentes com serpentes no Pará, estado que registra o maior número absoluto de ocorrências do país. O estudo internacional, publicado em uma das principais publicações mundiais na área de medicina tropical e saúde global, analisou dados epidemiológicos, ambientais e socioeconômicos de 2007 a 2023. 

Conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), o trabalho identificou que fatores climáticos e condições de vulnerabilidade social têm influência direta na ocorrência desses acidentes, especialmente nas regiões mais rurais e com menor acesso a serviços básicos.

Estudo revela padrão sazonal de acidentes ofídicos

Ao longo de 17 anos, os pesquisadores examinaram mais de 87 mil casos registrados no Pará e constataram que os acidentes ofídicos apresentam um padrão sazonal bem definido, com maior incidência durante o primeiro semestre do ano, período que coincide com a estação mais chuvosa em grande parte da Amazônia.

O que é um acidente ofídico?

Acidente ofídico é o termo utilizado para designar o envenenamento provocado pela picada de serpentes peçonhentas, como jararacas, surucucus e cascavéis. Essas ocorrências representam um importante problema de saúde pública na Amazônia, principalmente porque muitas comunidades vivem em áreas remotas, distantes de hospitais e do atendimento médico especializado.

Os sintomas podem variar desde dor intensa, inchaço e sangramentos até complicações graves, como insuficiência renal, amputações e, em casos extremos, a morte. O tratamento depende da administração rápida do soro antiofídico, considerado a principal medida para neutralizar o veneno.

Vulnerabilidade social e fatores ambientais ampliam o risco

Segundo o estudo, os acidentes são mais frequentes em municípios que apresentam maior percentual de população rural, elevadas taxas de analfabetismo e condições precárias de saneamento básico.

 Em 2023, o Pará registrou 11.206 casos de acidentes com animais peçonhentos, dos quais 5.238 com serpentes Em 2023, o Pará registrou 11.206 casos de acidentes com animais peçonhentos, dos quais 5.238 com serpentes
Os pesquisadores também verificaram que fatores ambientais, especialmente os volumes de chuva e as oscilações dos níveis dos rios

Os pesquisadores também verificaram que fatores ambientais, especialmente os volumes de chuva e as oscilações dos níveis dos rios, alteram a dinâmica entre as populações humanas e as serpentes, aumentando as chances de encontros e, consequentemente, de acidentes.

Impacto e contribuição da pesquisa da Ufopa

O primeiro autor do estudo é o pesquisador Jorge Emanuel Cordeiro Rocha, egresso do Programa de Pós-Graduação em Recursos Naturais da Amazônia (PPGRNA) da Ufopa. A pesquisa foi orientada pela professora doutora Ana Carla dos Santos Gomes, do Instituto de Engenharia e Geociências (IEG), e teve coorientação do professor doutor Joacir Stolarz-de-Oliveira, do Instituto de Ciências da Educação (Iced). Também assina o artigo o pesquisador Samuel Campos Gomides, do Campus Oriximiná da universidade.

Para a professora Ana Carla Gomes, os resultados oferecem informações estratégicas para fortalecer as políticas públicas de saúde na Amazônia.“A pesquisa contribui para aprimorar a distribuição de soros antiofídicos, fortalecer ações de educação em saúde e qualificar a assistência às populações mais vulneráveis da Amazônia. Além disso, evidencia a importância de considerar fatores ambientais e sociais na formulação de políticas públicas voltadas ao enfrentamento desse problema de saúde pública”, destacou.

A docente também ressaltou que a publicação reforça o papel da Ufopa na produção de conhecimento científico sobre os desafios socioambientais da região. Segundo ela, o estudo demonstra a capacidade da pós-graduação da instituição de formar pesquisadores aptos a desenvolver investigações de relevância regional e internacional, ampliando a inserção da universidade em redes globais de pesquisa.

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