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Pará celebra Dia do Orgulho Autista com ações de protagonismo no CIIR

Atividades desenvolvidas no Cetea e no Natea reforçam a autonomia dos usuários, valorizam a neurodiversidade e promovem a consolidação de políticas públicas voltadas para pessoas com TEA no Estado

A data propõe uma reflexão sobre a importância do respeito à neurodiversidade, do combate aos estigmas e da promoção da inclusão. Nos espaços especializados do Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR), em Belém, o orgulho autista é fortalecido diariamente por meio de ações que estimulam autonomia, desenvolvimento de habilidades e participação ativa dos usuários em suas próprias trajetórias.

Para a coordenadora assistencial do Cetea, Sâmilly Batista, discutir o Dia do Orgulho Autista dentro de um serviço especializado amplia o olhar sobre as pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). “Essa reflexão contribui diretamente para a redução de estigmas e para o fortalecimento do protagonismo, incentivando a participação ativa nos diferentes contextos de vida e promovendo dignidade, pertencimento e valorização da pessoa com TEA”, afirma.

A coordenadora Sâmilly Batista explica que as atividades buscam garantir o protagonismo, a dignidade e o desenvolvimento de habilidades diárias das pessoas com TEA

Foto: Ascom/CIIR

A coordenadora Sâmilly Batista explica que as atividades buscam garantir o protagonismo, a dignidade e o desenvolvimento de habilidades diárias das pessoas com TEA

Segundo ela, o trabalho desenvolvido pelas equipes vai além das intervenções terapêuticas, buscando fortalecer habilidades que favoreçam a independência e a participação social dos usuários. “Trabalhamos continuamente para promover a autonomia por meio do desenvolvimento de habilidades de vida diária, comunicação funcional, socialização e maior independência nas atividades. Nossas práticas favorecem o protagonismo, assegurando que os usuários tenham oportunidades reais de fazer escolhas, expressar preferências e participar de forma ativa e significativa do próprio processo terapêutico”, explica ainda Sâmilly.

Conquistas – Entre os usuários, o significado do orgulho autista aparece de diferentes formas: nos estudos, nos talentos, nas habilidades desenvolvidas e nos sonhos para o futuro.

Atendido pelo Natea, Felipe Pinheiro Modesto, de 21 anos, encontra esse sentimento na criatividade. Ele gosta de produzir artesanato, confeccionando anéis e pulseiras, e se orgulha de suas criações. “Eu gosto de quem eu sou. Quando faço as coisas de que gosto, me sinto tranquilo, calmo, feliz e bem comigo mesmo”, conta o jovem.

Já Jonathan Vinícios Pinheiro Moraes, de 25 anos, destaca a satisfação de aprender coisas novas. Apaixonado por Química, ele também aprendeu noções da língua japonesa por meio de pesquisas e vídeos na internet. Outra habilidade que desenvolveu foi a de consertar equipamentos eletrônicos observando o trabalho de outras pessoas. “Os autistas podem estudar, aprender e trabalhar. Cada pessoa tem suas habilidades”, afirma.

Histórias de protagonismo: Jonathan, Lennox, Felipe e Lorrany compartilham suas conquistas, talentos e planos para o futuro, simbolizando o real significado do orgulho autista

Foto: Ascom/CIIR

Histórias de protagonismo: Jonathan, Lennox, Felipe e Lorrany compartilham suas conquistas, talentos e planos para o futuro, simbolizando o real significado do orgulho autista

Para Lennox Jean de Almeida Trindade, de 27 anos, o orgulho está presente nas atividades do dia a dia e na possibilidade de ajudar quem ama. “Eu fico feliz quando minha mãe me elogia. Gosto de ajudar em casa e, quando consigo fazer alguma coisa para ajudar minha família, me sinto bem”.

Também atendida pelo Natea, Lorrany Moraes Gonçalves, de 19 anos, compartilha o desejo de concluir os estudos e ingressar no mercado de trabalho. Para ela, o respeito e a compreensão são fundamentais para a construção de uma sociedade mais inclusiva.

Expressão

Construído coletivamente, o painel do Orgulho Autista reuniu contribuições dos usuários por meio de desenhos, escritas, colagens, símbolos e manifestações pessoais, respeitando a forma de expressão de cada participante. “O resultado foi um painel lindo, rico em detalhes e cheio de significado. Ele emociona por carregar o toque de cada um. Cada produção revela um pouco da identidade de quem a construiu”, destaca Sâmilly Batista.

Mais do que uma atividade comemorativa, o mural simboliza o reconhecimento das potencialidades e da voz das pessoas autistas. “Ele transmite a mensagem de que as pessoas com autismo têm identidade, têm potencial, têm voz e têm direito à participação. E evidencia o nosso papel, enquanto serviço e sociedade, de garantir autonomia, protagonismo e pertencimento”, conclui a coordenadora do Cetea.

Painel construído coletivamente pelos usuários reúne desenhos, escritas e colagens que expressam o potencial, a voz e a identidade de cada participante

Foto: Ascom/CIIR

Painel construído coletivamente pelos usuários reúne desenhos, escritas e colagens que expressam o potencial, a voz e a identidade de cada participante

Referência – O CIIR é referência no Pará em assistência de média e alta complexidade às Pessoas com Deficiência (PcDs) visual, física, auditiva e intelectual. Os usuários podem ter acesso aos serviços do Centro por meio de encaminhamento das unidades de Saúde, acolhidos pela Central de Regulação de cada município, que por sua vez encaminha à Regulação Estadual. O pedido será analisado conforme o perfil do usuário pelo Sistema de Regulação Estadual (SER).

Serviço: O Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação é um órgão do governo do Pará. Funciona na Rodovia Arthur Bernardes nº 1000, em Belém. Já o Cetea funciona na Rua Presidente Pernambuco, nº 489, bairro Batista Campos, também em Belém.

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