O diesel S10 disparou no Pará e em Belém nos primeiros meses de 2026, com alta próxima de 20%, ampliando a pressão sobre fretes, abastecimento, produção e custo de vida. O balanço foi divulgado pelo DIEESE/PA com base nos preços levantados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Entre a última semana de dezembro de 2025 e o período de 14 a 20 de junho de 2026, o preço médio do diesel S10 no Pará passou de R$ 6,18 para R$ 7,34 por litro, aumento de R$ 1,16 ou 18,77%. Em Belém, a elevação foi ainda maior: o combustível saiu de R$ 5,93 para R$ 7,08, avanço de R$ 1,15 e variação de 19,39%.
A gasolina comum também passou a pesar mais no orçamento. No Estado, o valor médio subiu de R$ 6,20 para R$ 6,75, reajuste de 8,87%. Na capital paraense, passou de R$ 6,19 para R$ 6,78 por litro, alta de 9,53% em menos de seis meses.
Pará tem diesel S10 entre os mais caros do país
O levantamento nacional da ANP coloca o Pará na sexta posição entre os estados com o diesel S10 mais caro do país, considerando a semana de 14 a 20 de junho. Na gasolina comum, o Estado aparece na 14ª colocação nacional, com preço médio de R$ 6,75 por litro.
Além da elevação geral, o DIEESE/PA chama atenção para as grandes diferenças dentro do próprio território paraense. A gasolina foi encontrada entre R$ 6,15 e R$ 7,79 por litro, distância de R$ 1,64, equivalente a 26,7%. No diesel S10, a oscilação chegou a 33,7%, com preços entre R$ 6,58 e R$ 8,80, diferença de R$ 2,22 por litro.
Impacto no custo de vida e desigualdades regionais
O departamento reconhece que a extensão territorial do Pará, a distância entre municípios e centros de distribuição e a dependência dos transportes rodoviário e hidroviário encarecem o frete, o armazenamento e a distribuição. Mesmo considerando essas características, o órgão avalia que a amplitude das diferenças “merece atenção”.
Segundo a nota assinada pelo supervisor técnico do DIEESE/PA, Everson Costa, as elevações registradas em 2026 reforçam a pressão sobre o custo de vida da população paraense. O diesel é estratégico para o transporte de cargas, abastecimento das cidades, produção agropecuária e funcionamento de diversas atividades econômicas.
A gasolina, por sua vez, interfere diretamente no orçamento das famílias e nas despesas com deslocamentos urbanos. O efeito tende a ser maior nas regiões distantes dos principais centros de distribuição, onde combustíveis mais caros elevam os custos do transporte de passageiros, mercadorias, alimentos, insumos e serviços.
Como o diesel sustenta grande parte da logística estadual, os reajustes podem ser incorporados aos preços finais pagos pelos consumidores. Para o DIEESE/PA, o cenário amplia as desigualdades regionais e pressiona tanto as famílias quanto as atividades econômicas desenvolvidas nos municípios paraenses.

