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Congo tem virada épica sobre o Uzbequistão e consegue vaga histórica na Copa

São Paulo, SP – Em um jogo com contornos dramáticos, a República Democrática do Congo fez tremer o Mercedez-Benz Stadium na noite deste sábado ao derrotar, de virada, o Uzbequistão por 3 a 1 em um confronto épico. O triunfo, construído com gols de Wissa (duas vezes) e Mayele, (Shomurodov descontou), classificou os africanos, e fez o time do técnico Sébastien Desabre entrar para a história do futebol local, além de emocionar os pouco mais de 68 mil presentes que estiveram nessa verdadeira “decisão”.

A RD Congo entrou em campo com dois objetivos. Conseguir o seu primeiro triunfo em Copas e também buscar, pela primeira vez, uma vaga nas fases eliminatórias. A missão esteve perto de se transformar em tragédia, mas na base da raça e do coração, o objetivo foi alcançado. Agora, que venham os ingleses.

Após um domínio até certo ponto “estéril” nos primeiros 45 minutos, a RD Congo empilhou chances, perdeu gols incríveis, mas viu a defesa adversária se defender de forma hercúlea para garantir o 1 a 0 diante de um estádio completamente lotado.

No entanto, o segundo tempo foi avassalador. A virada veio para representar o esforço de um time que segurou um empate heroico contra Portugal na estreia, amargou uma derrota de 1 a 0 para a Colômbia e fez o dever de casa para colocar o time na sequência do Mundial.

Com portugueses e colombianos na disputa pelos dois primeiros lugares da chave, RD Congo entrou precisando de uma vitória simples, sofreu ao tomar um gol logo no início, mas buscou a virada para confirmar sua permanência no Mundial e encara os ingleses na segunda fase. Já o Uzbequistão, que vinha de duas derrotas, se despede do torneio na lanterna.

A partida começou em alta voltagem e com apenas 20 segundos de andamento, a rede balançou no Mercedez-Benz Stadium, em Atlanta. Shomurodov se aproveitou de um rebote do goleiro e mandou za bola para o fundo do gol. O lance, porém, foi invalidado por impedimento, mas deu uma mostra da disposição das equipes.

Mesmo sem ter pontuado no torneio, a seleção uzbeque entrou com uma postura bem mais ofensiva, perdeu outra chance clara antes mesmo dos cinco minutos e acabou sendo premiada pela ousadia de buscar o ataque já no início do duelo. Numa bela conclusão pelo lado esquerdo da grande área, Shomurodov encobriu o goleiro, fez um golaço, e colocou o Uzbequistão em vantagem com apenas nove minutos de confronto.

O jogo manteve o ritmo dinâmico e a trocação imperou. O conjunto africano se lançou ao ataque e o empate veio aos 16 minutos incendiando as arquibancadas. Mbuku iniciou a trama, chegou na área para empatar a partida e festejou muito. A sua alegria, entretanto, foi breve. O VAR pediu revisão do lance e o juiz alemão Feliz Zwayer viu falta do atleta africano que atingiu o rival no rosto na origem da jogada.

A partir daí, o jogo ganhou uma outra roupagem. RD Congo adiantou suas linhas, passou a jogar no campo do adversário e fez o adversário ficar acuado. A falta de objetividade, no entanto, marcou a equipe comandada por Sébastien Desabre. Mesmo com 64% de posse de bola, a equipe falhou no momento da definição das jogadas

Com a clara intenção de defender a vantagem, o Uzbequistão se encolheu, abusou das faltas e viu o perigo rondar a sua área somente por meio de cruzamentos. Bem postada, a defesa soube segurar a vantagem e foi para o intervalo com o 1 a 0 a seu favor.

A etapa complementar foi uma espécie de tudo ou nada para a RD Congo. Cipenga e suas investidas pela esquerda foi a principal arma dos africanos. A precipitação no momento da finalização, porém demonstrou o nervosismo da equipe que passou a ter o relógio como um outro obstáculo na partida.

Colocando o coração na ponta da chuteira, a RD Congo se manteve no ataque e, aos 20 minutos, teve um pênalti a seu favor. Wissa se antecipa à marcação e levou uma entrada dura de Khusanov na área. O juiz marcou a penalidade e ele mesmo foi para a cobrança e deixou tudo igual: 1 a 1.

O Mercedez-Benz se transformou em um caldeirão e o duelo virou um ataque contra a defesa. E o gol da virada veio de forma chorada. Elia, que entrou no segundo tempo, entrou pela esquerda e chutou rasteiro. A bola desviou na zaga e Mayele, com um toque, decretou a virada de 2 a 1. E teve mais. Um dos melhores em campo Wissa selou a classificação no final com um chute cruzado, para selar a classificação e emocionar todo um país na África.

Colômbia e Portugal empatam no melhor jogo sem gols da Copa

Embora não tenham balançado a rede, Colômbia e Portugal foram protagonistas de uma das melhores partidas da Copa do Mundo na América do Norte. No Hard Rock Stadium, os colombianos foram dominantes na maior parte do empate sem gols.

Decisões equivocadas perto do gol, o pé descalibrado dos atacantes e a atuação de destaque dos dois goleiros impediram que a rede fosse balançada nos arredores de Miami.

A seleção sul-americana pode lamentar o empate por ter controlado boa parte do jogo. Mas está satisfeita com o resultado que sustentou a liderança da Grupo K e terminou a primeira fase invicta, com sete pontos.

O melhor empate sem gols do Mundial é mau negócio para Portugal, que avançou na segunda colocação do Grupo K, com cinco pontos. Custou caro ter perdido pontos no empate com a RD Congo na estreia. Na fase seguinte, de 16 avos, colombianos duelam com Gana, dia 3 de julho, às 22h30 (de Brasília), em Kansas. Os portugueses enfrentam a Croácia, dia 2, às 20h, em Toronto, no Canadá.

FICHAS TÉCNICAS

COLÔMBIA 0 X 0 PORTUGAL

COLÔMBIA: Vargas; Santi Arias (Muñoz), Davinson Sánchez, Lucumí e Deiver Machado; Lerma (Richard Ríos), Puerta e Jhon Arias (Castaño); James Rodríguez (Quintero), Córdoba (Luis Suárez) e Luis Díaz. Técnico: Néstor Lorenzo.

PORTUGAL: Diogo Costa; João Cancelo (Dalot), Rúben Dias, Renato Veiga e Nuno Mendes (Matheus Nunes); Vitinha (Rafael Leão) e Rúben Neves (João Neves); Pedro Neto, Bruno Fernandes e João Félix (Samú Costa); Cristiano Ronaldo. Técnico: Roberto Martínez

ÁRBITRO: Alireza Faghani (Austrália).

CARTÕES AMARELOS: Puerta.

PÚBLICO: 64.478 torcedores.

RENDA: Não divulgada.

LOCAL: Hard Rock Stadium, em Miami Gardens, EUA.

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RD CONGO 3 X 1 UZBEQUISTÃO

RD CONGO – Mpasi; Wan-Bissaka, Mbemba, Tuanzebe e Masuaku (Kayembe); Mbuku (Mukau), Moutoussamy (Elia) e Sadiki; Wissa, Bakambu (Mayele) e Cipenga (Bongonda). Técnico: Sébastien Desabre.

UZBEQUISTÃO – Nematov; Khusanov, Alijonov, Ashurmatov; Nasrullaev, Urozov (Sergeev, Mozgovoy (Iskanderov) e Shukurov (Khamrobekov); Khamdamov (Ganiev), Fayzullaev (Urunov) e Shomurodov. Técnico: Fabio Cannavaro.

GOLS – Shomurodov, aos 9 minutos do primeiro tempo. Wissa (de pênalti), aos 21 e 45, Mayele, 32 minutos do segundo tempo.

CARTÕES AMARELOS – Mbuku, Motoussamy e Sadiki (RD CONGO); Khusanov e Nasrullaev (Uzbequistão).

ÁRBITRO – Felix Zwayer (ALE).

PÚBLICO – 68.239 presentes.

LOCAL – Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta (EUA).

Foto: AFP

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