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Saída da Grande Belém segue parada no velho gargalo de Marituba mesmo antes do veraneio

Na saída de Belém, todos os caminhos desembocam em Marituba, onde os engarrafamentos são diários; Liberdade é interditada para obras/Fotos: Divulgação.

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s férias escolares chegaram e milhares de paraenses voltam a pegar a estrada rumo aos balneários e municípios do interior. Mas, antes mesmo de deixar a Região Metropolitana de Belém, os motoristas continuam enfrentando um velho conhecido: o gargalo da BR-316, em Marituba.

Seja qual for o caminho escolhido a partir do centro da capital, o destino acaba sendo praticamente o mesmo: todos os caminhos levam à paralisia. O congestionamento começa nas proximidades da confluência da avenida Independência com a BR-316, no sentido Belém-Marituba, e se estende até a região do Cemitério Parque das Palmeiras. Nos horários de maior movimento, o trânsito simplesmente deixa de fluir.

Onde mora o funil

A explicação para o problema é conhecida pelos especialistas em mobilidade. Em Ananindeua, a BR-316 possui quatro faixas por sentido – três destinadas ao tráfego geral e uma exclusiva para o BRT. Ao chegar a Marituba, porém, a rodovia passa a contar com apenas duas faixas por sentido.

O estreitamento cria um efeito de funil inevitável. O grande volume de veículos provenientes de Belém, Ananindeua e municípios vizinhos disputa um espaço insuficiente para absorver a demanda, provocando congestionamentos diários que devem se intensificar durante as férias.

Uma fonte do trânsito ouvida pela coluna resume a situação: enquanto não houver ampliação da capacidade da BR-316 nesse trecho, com novas faixas de rolamento, os congestionamentos tendem a crescer ano após ano, aumentando o tempo de viagem, os custos do transporte e comprometendo a mobilidade de toda a Região Metropolitana.

Trânsito elevado até…

Nos últimos anos, o governo do Estado investiu na construção de três viadutos ao longo da BR-316, em Ananindeua, eliminando cruzamentos em nível e melhorando a fluidez do trânsito naquele trecho. Na prática, porém, as obras apenas fizeram os veículos chegarem mais rapidamente ao principal ponto de estrangulamento da rodovia: Marituba.

Ali, o trânsito continua condicionado a sucessivos semáforos, travessias de pedestres em nível e a uma capacidade viária insuficiente para absorver o fluxo crescente de veículos.

As passarelas construídas ao longo da rodovia, que deveriam retirar os pedestres da pista, acabaram perdendo sua função. Em muitos pontos, são evitadas por questões de segurança ou ocupadas irregularmente por vendedores ambulantes. O resultado é que boa parte dos pedestres prefere utilizar as faixas de travessia, obrigando interrupções frequentes no fluxo de veículos.

Também pesa sobre o sistema a fiscalização praticamente inexistente da restrição de circulação para veículos de carga em determinados horários. A norma continua em vigor, mas há muito tempo deixou de produzir efeitos justamente nos períodos de maior movimento.

Promessa da Liberdade

Inaugurada há cerca de seis meses, a avenida Liberdade foi apresentada como uma das principais obras de mobilidade da Região Metropolitana. Com aproximadamente 13 quilômetros de extensão e investimento superior a R$ 400 milhões, a via foi concebida para ligar Belém à Alça Viária por um corredor expresso, sem semáforos, oferecendo uma alternativa à BR-316. 

Em nota, o governo do Estado afirma que a rodovia permite percorrer o trajeto em aproximadamente 12 minutos, com velocidade regulamentada de até 80 km/h, além de contribuir para reduzir a sobrecarga da BR-316. Segundo a administração estadual, a via recebe monitoramento permanente das condições da pista, da sinalização e do fluxo de veículos, especialmente durante o período de férias.

Apesar disso, a percepção dos usuários ainda está distante da expectativa criada pela obra. Além de trechos que já apresentam desgaste na pavimentação, quem deixa a área central de Belém inevitavelmente acaba encontrando o mesmo gargalo da BR-316 ou recorrendo às vias internas de Marituba, que também operam próximas do limite de sua capacidade. Ontem, o governo do Pará anunciou a interdição da avenida para serviços de manutenção e reparos.

Alternativas locais

A Prefeitura de Marituba informa que vem executando serviços de recuperação da malha viária para transformar diversas ruas do município em rotas alternativas durante o mês de julho. Entre elas estão a travessa 19 de Junho, Uriboca Velha, 21 de Abril, Cláudio Barbosa da Silva, Antônio Bezerra Falcão, Decouville, rua do Eucaliptal, estrada da Pirelli e Parque das Palmeiras.

As intervenções podem aliviar pontualmente o trânsito para quem conhece os desvios locais. Mas dificilmente resolverão um problema que é estrutural e se concentra justamente na principal porta de saída da Região Metropolitana.

A avenida Liberdade representa um investimento importante para a mobilidade paraense. Os viadutos construídos na BR-316 também melhoraram a fluidez em Ananindeua. O problema é que o principal gargalo permaneceu exatamente onde sempre esteve. O trânsito foi elevado em boa parte do percurso, mas ficou no chão em Marituba. 

Enquanto esse funil não for enfrentado, as férias dos paraenses continuarão começando do mesmo jeito: presos no congestionamento antes mesmo de deixar Belém.

Papo Reto

Às vésperas do primeiro mata-mata da Copa do Mundo, a diferença entre Brasil e Japão também aparece no valor de mercado de seus elencos: Brasil: 928,2 milhões de euros; Japão, 270,85 milhões.

•Na prática, a Seleção Brasileira possui um elenco avaliado em cerca de três ou quatro vezes o valor da equipe japonesa, uma diferença superior a 657 milhões de euros. Mas, como são 11 contra 11… 

Segundo dados do Transfermarkt, Vini Jr. (foto) e Matheus Cunha, do Brasil, Kaishu Sano e Yuito Suzuki, do Japão, são os jogadores mais caros das duas seleções.  

•Em tempos de Copa do Mundo, quando milhões de brasileiros acompanham os jogos por plataformas digitais e serviços de streaming, a internet deixou de ser um luxo; tornou-se uma necessidade.

Entretanto, em Belém e em parte da Região Metropolitana, essa realidade tem sido constantemente interrompida por um problema que parece não ter fim: o furto de cabos.

•Quadrilhas especializadas agem durante a madrugada, arrancando quilômetros de cabos de energia e de telecomunicações para comercializar cobre e outros materiais. O prejuízo não é apenas das operadoras: é de toda a sociedade.

Cada cabo furtado representa milhares de pessoas sem internet, empresas paralisadas, trabalhadores impedidos de exercer suas atividades, estudantes sem acesso às aulas, condomínios sem monitoramento e famílias completamente isoladas dos serviços digitais. 

•Em muitos casos, a normalização do serviço leva até três dias, pois não basta substituir o cabo – é necessário reconstruir toda a infraestrutura danificada.

O episódio ocorrido recentemente nos bairros do Reduto e em parte do Umarizal retrata bem essa realidade. A operadora travou uma verdadeira corrida contra o tempo para restabelecer o sinal antes da partida da Seleção Brasileira contra a Escócia. 

•O serviço voltou por volta das 14 horas, praticamente “batendo na trave”. Bastaria um pequeno atraso para que milhares de usuários ficassem sem assistir ao jogo da Seleção.

E o problema não se resume ao entretenimento. Sem conexão, inúmeros serviços deixam de funcionar: aplicativos bancários, sistemas empresariais, consultas médicas on-line, plataformas governamentais, pagamentos eletrônicos, câmeras de segurança e comunicações essenciais.

•As operadoras fazem o possível para recompor as redes, muitas vezes mobilizando equipes durante 24 horas por dia. Porém, por maior que seja o esforço técnico, nenhuma empresa consegue competir indefinidamente contra uma criminalidade que age de forma organizada e reincidente.

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