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Estado e prefeitura ignoram ordens da Justiça para salvar crianças em Belém

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uas crianças internadas em hospitais públicos de Belém permanecem em estado grave, à espera de transferência para unidades de saúde com estrutura adequada ao tratamento de alta complexidade. Nos dois casos, a Justiça determinou a remoção imediata para leitos de UTI pediátrica ou hospitais especializados. Mais de 30 dias depois, as decisões continuam sem cumprimento.

Apesar das determinações, crianças seguem em estado considerado gravíssimo e sem o atendimento recomendado/Fotos: Divulgação.

As ações são acompanhadas pela Defensoria Pública do Estado, por meio do Núcleo de Atendimento à Criança e ao Adolescente (Naeca), que acusa o Estado do Pará e o Município de Belém de descumprirem ordens judiciais em processos que envolvem risco iminente à vida das pacientes.

Quadro gravíssimo

Um dos casos é o da menina Fabrícia de Jesus Miranda Maciel. Segundo laudos médicos anexados ao processo, a criança encontra-se em estado gravíssimo, dependente de ventilação mecânica, alimentação por sonda e acompanhamento especializado. Os médicos alertam para o elevado risco de infecção hospitalar decorrente da longa permanência na unidade onde está internada e registram que o quadro já evoluiu com pneumonia durante a hospitalização.

Diante da gravidade, a 1ª Vara da Infância e Juventude de Belém determinou a transferência imediata para hospital com estrutura compatível com o tratamento necessário, autorizando, inclusive, a internação em unidade privada caso não haja vaga na rede pública.

Segundo a Defensoria, a ordem permanece sem cumprimento. Até o momento, apenas um hospital privado consultado informou não possuir condições de receber a paciente em razão da superlotação. Os demais ainda não responderam, enquanto Estado e Município permanecem sem apresentar solução efetiva.

Mais de um mês

Situação semelhante vive a menina Yohanna Vitória Neves de Oliveira. Em decisão proferida ainda em maio, a Justiça concedeu prazo de apenas 24 horas para que o Estado e o Município providenciassem sua transferência para uma UTI pediátrica, assegurando todo o tratamento necessário, inclusive na rede privada, se fosse o caso.

A determinação também fixou multa diária pelo descumprimento. Passados mais de 30 dias, porém, a criança continua internada no Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, unidade que, segundo a Defensoria, não dispõe da estrutura adequada para o tratamento especializado de que necessita.

Diante da persistência do descumprimento, a Defensoria requereu à Justiça o bloqueio de verbas públicas para custear imediatamente a transferência, além da execução e aumento das multas e da responsabilização dos gestores públicos caso a omissão permaneça.

Direito à vida

Para as defensoras responsáveis pelos casos, a situação revela uma grave violação do direito fundamental à saúde. Elas sustentam que decisões judiciais claras e de cumprimento imediato vêm sendo sistematicamente ignoradas, mesmo diante de pacientes em situação de extrema vulnerabilidade e sob risco concreto de agravamento irreversível ou morte.

Até o fechamento desta edição, as secretarias de Saúde do Estado e de Belém não haviam informado quais providências seriam adotadas para cumprir as determinações judiciais e garantir a transferência das crianças para unidades com capacidade de oferecer o tratamento prescrito pelos médicos.

Papo Reto

O prefeito de Belém, Igor Normando (foto), parece mesmo adepto da máxima “falem mal, mas falem de mim”. Logo após a vitória do Brasil sobre o Japão, que garantiu vaga nas oitavas da Copa do Mundo, publicou nas redes sociais uma fotomontagem em que aparece com o icônico corte de cabelo de Ronaldo Fenômeno, usado no Mundial de 2002.

•Há quem tenha achado engraçado. Outros preferiam que a criatividade aparecesse mais na gestão da cidade.

Depois de viabilizar mais de R$ 1 bilhão em emendas para municípios paraenses, o senador Zequinha Marinho intensifica, nesta semana, um giro por todas as regiões do Estado.

•A estratégia é simples: menos palanque, mais conversa. Longe dos clichês ideológicos, o parlamentar tem colocado o pé na estrada e dialogado com lideranças de diferentes partidos e correntes políticas.

A manchete de O Liberal – “Pará vira ‘hub’ do tráfico de drogas na Amazônia” – chama atenção pela contundência.

•Combater o crime organizado é dever permanente do Estado. Outra coisa é transformar um problema complexo em um rótulo capaz de estigmatizar uma unidade da Federação inteira.

A pergunta permanece: a quem interessa essa narrativa?

•O Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (Naea/UFPA) conquistou reconhecimento nacional ao figurar entre as três melhores experiências de integração entre universidade e comunidade na campanha Cidades sem Risco – Aprender para Prevenir, promovida pelo Cemaden e parceiros.

O prêmio reconhece duas décadas de trabalho do Grupo de Estudos em Educação, Cultura e Meio Ambiente (Geam) na comunidade de Santo Antônio do Prata, mostrando que ciência, educação ambiental e participação popular continuam produzindo resultados concretos na Amazônia.

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