InícioCiência & TecnologiaJames Webb encontra galáxia impossível no Universo antigo

James Webb encontra galáxia impossível no Universo antigo

O telescópio James Webb identificou um enorme aglomerado de galáxias antigo que não deveria existir tão cedo na história do Universo. A descoberta chamou atenção porque parece avançar etapas da evolução cósmica conhecidas até agora.

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Chamado XLSSC 122, o objeto também entra no radar dos cientistas como peça importante para entender a matéria escura e testar limites dos modelos atuais de formação do cosmos, comenta o Space.com.

Graças ao efeito da lente gravitacional, o James Webb consegue observar regiões do Universo antes inacessíveis. – Imagem: Vadim Sadovski – Shutterstock

Um aglomerado grande demais para o início do Universo

O XLSSC 122 foi observado como era há cerca de 10,4 bilhões de anos, quando o Universo tinha apenas 3,4 bilhões de anos após o Big Bang. Ainda assim, já aparece como uma estrutura densa e bastante organizada.

O curioso é que ele se comporta como um sistema mais “maduro”, algo que não era esperado para uma fase tão inicial da história cósmica.

Ele lembra aglomerados mais próximos da nossa galáxia, o que aumenta ainda mais o estranhamento entre os pesquisadores.

A gravidade que distorce e revela o cosmos

Além da idade inesperada, o XLSSC 122 funciona como uma lente gravitacional. Isso acontece quando a massa do aglomerado curva o espaço ao redor e altera o caminho da luz que passa por ele.

Na prática, isso acaba ajudando telescópios como o James Webb a enxergar galáxias ainda mais distantes, que ficariam praticamente invisíveis sem esse efeito.

Entre os principais efeitos observados estão:

  • ampliação da luz de galáxias muito distantes
  • distorção de imagens no fundo do espaço
  • melhor visualização de estruturas antigas
  • apoio no mapeamento da massa no Universo
  • aumento da capacidade observacional de telescópios
imagem de dois painéis mostra um aglomerado de galáxias distante, conforme observado pelo Telescópio Espacial Hubble e pelo JWST da NASA.
O fenômeno previsto por Albert Einstein há mais de um século voltou a ganhar destaque com as observações do James Webb. – Imagem: NASA, ESA, CSA; Kyle Finner (Caltech/IPAC). Processamento de imagem: Robert Hurt (Caltech/IPAC-SELab)


O que Einstein já previa — e o que ainda intriga

A lente gravitacional foi prevista por Albert Einstein em 1915, dentro da teoria da relatividade geral. Ela descreve como grandes massas deformam o espaço-tempo e mudam o caminho da luz.

Antes do JWST, não conseguíamos fazer ciência nesse nível no Universo primitivo e distante.

Kyle Finner, pesquisador do Instituto de Tecnologia da Califórnia, em nota.

Mesmo com essa base teórica bem estabelecida, o modo como o XLSSC 122 se formou tão cedo ainda não se encaixa totalmente nos modelos atuais de evolução do Universo.

Um novo olhar para a matéria escura

O estudo também reforça o papel da matéria escura, substância invisível que não emite luz, mas exerce influência direta sobre a gravidade no Universo.

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Ela é considerada essencial para entender como galáxias e aglomerados surgem e se organizam ao longo do tempo.

A lente gravitacional ajuda justamente nesse ponto, já que permite inferir a presença da matéria escura a partir da forma como a luz é desviada.

“É uma forma de medir a matéria escura sem vê-la diretamente”, explicou Finner. “Isso nos dá um teste sensível dos modelos cosmológicos.”

Os resultados foram apresentados na reunião da American Astronomical Society e publicados na revista The Astrophysical Journal Letters.

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.


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