Certamente você já ouviu falar da grandiosidade do Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas, que divide o país entre o Boi Garantido (vermelho) e o Boi Caprichoso (azul). No coração desse espetáculo, um dos momentos mais aguardados e aplaudidos pelo público é a evolução do Item 9: a Cunhã-Poranga.
Mas afinal, o que significa esse posto tão cobiçado? No dialeto indígena, “Cunhã-Poranga” significa “mulher bonita”. No festival, esse item individual representa a força, a beleza, a dignidade e a altivez da mulher indígena e amazônida.
Ela entra na arena como uma verdadeira guerreira, unindo coreografias intensas, expressões faciais marcantes e trajes monumentais que celebram a ancestralidade e a resistência dos povos originários. O festival traz à tona um duelo de deusas que mexe com as estruturas da Ilha da Magia.
💙 Marciele Munduruku: A “Guerreira das Lutas” do Caprichoso
Pelo lado do Boi Caprichoso, a arquiteta e ativista Marciele Albuquerque, que pertence legitimamente ao povo Munduruku, entregou uma temporada avassaladora na arena. Vestida da cabeça aos pés para honrar o pavilhão azul, Marciele usou seu espaço para homenagear a coragem e a permanência dos povos indígenas diante dos desafios históricos.
Para ela, defender o item vai muito além da estética. “A cultura indígena pulsa no presente e ajuda a construir o futuro. É um tributo à força de quem transformou luta em legado”, declarou a cunhã do boi negro da estrela.
Após o encerramento das apresentações, Marciele fez questão de agradecer a imensa rede de apoio que sustenta o seu espetáculo, desde os soldadores, costureiras, figurinistas, coreógrafos e os Paikiçés (guardiões), até o Conselho de Artes e o presidente do boi, Rossy Amoedo. “Finalizamos mais uma temporada entregando aquilo que o nosso Caprichoso sabe fazer como ninguém: arte com compromisso e verdade”, celebrou.
❤️ Isabelle Nogueira se despede do posto no Garantido
Do lado do Boi Garantido, as estruturas balançaram com um anúncio. Aos 33 anos, a influenciadora e dançarina Isabelle Nogueira oficializou a sua despedida do item Cunhã-Poranga do boi do coração na terceira noite do festival. A icônica “Onça-Mãe” encarnou o mito do povo Kamarayana em sua última apresentação oficial na arena.
Isabelle defende o item desde 2018 e ganhou projeção nacional em 2024 ao levar a cultura do Amazonas para o BBB. Ela explicou que, embora seu corpo ainda tenha plenos atributos para continuar, sua alma entende que é hora de encerrar esse ciclo.
“Algumas histórias não terminam quando acaba a força, mas quando transbordam de propósito. Eu não saio porque não posso mais. Eu saio porque cumpri aquilo para o qual fui chamada! Cresci em meio à escassez e à vulnerabilidade, e o Garantido mudou o percurso da minha vida”, revelou Isabelle.
A musa relembrou que enfrentou muito preconceito e machismo ao longo de sua trajetória de mais de vinte anos como torcedora e fazedora de cultura, mas celebrou o fato de ter rompido as barreiras da invisibilidade para o festival conquistar novos espaços globais.
“Retiro-me do item com o coração transbordando de gratidão. Isso não é um fim. É o começo de uma nova era!”, concluiu a eterna cunhã encarnada, prometendo que seu amor pelo “brinquedo de infância” continuará eterno.


