IníciobrasilA região que tornou o palmito pupunha referência nacional

A região que tornou o palmito pupunha referência nacional

A imagem dos palmiteiros clandestinos que outrora desafiavam a fiscalização no sul de São Paulo ficou no passado. No Vale do Ribeira, o cultivo planejado do palmito pupunha enterrou o histórico extrativismo ilegal da palmeira nativa, transformando a região no maior polo produtor do país e na segunda maior força econômica local, de acordo com a secretaria de Agricultura do estado.

Essa evolução ganhou chancela oficial: o produto acaba de obter o selo de Indicação Geográfica (IG) do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), abrindo de vez as portas dos mercados internacionais mais restritivos. “O cultivo planejado da pupunheira mudou a dinâmica da região.

Conseguimos atender à demanda do mercado de forma sustentável e reduzimos drasticamente a pressão sobre o extrativismo ilegal da palmeira juçara nas áreas remanescentes de Mata Atlântica”, afirma o diretor da Associação dos Produtores de Pupunha do Vale do Ribeira (Apuvale), Claudio de Andrade e Silva. A concessão do selo, emitido na categoria Indicação de Procedência, resulta da articulação entre pequenos agricultores, Apuvale, Sebrae-SP e Instituto Federal de São Paulo (IFSP).

Impulsionado por mais de 40 milhões de palmeiras no Vale do Ribeira, o setor de palmito abastece até 70 agroindústrias.Impulsionado por mais de 40 milhões de palmeiras no Vale do Ribeira, o setor de palmito abastece até 70 agroindústrias. (Foto: Daniele Otto/Embrapa)

A Apuvale projeta uma valorização comercial rápida do produto após a certificação do Inpi. De acordo com a associação, o selo atende a uma demanda global por rastreabilidade e diferenciação no mercado de alimentos.

“O mercado exige a ‘descomoditização’ dos produtos e o selo de Indicação Geográfica cumpre exatamente esse papel. Conferimos um status diferenciado ao palmito, amparado pela segurança de uma certificação de alta qualidade”, explica Andrade e Silva.

Com 40 milhões de palmeiras, cadeia da pupunha gera 10 mil empregos

O sucesso do cultivo da pupunha no extremo sul paulista está diretamente ligado à geografia local. Ao encontrar um regime de calor e alta umidade nos 17 municípios que compõem a bacia do Rio Ribeira de Iguape, a espécie de origem peruana adaptou-se com rapidez.

De acordo com a Apuvale, diferente da juçara, que morre após o corte e exige até 12 anos para o desenvolvimento, a pupunheira perfilha. “O perfilhamento nada mais é do que brotos que nascem junto à planta principal, formando uma pequena touceira e garantem cortes sucessivos. A planta não morre no corte e garante a produção por muitos anos, sem precisar de replantio”, explica o produtor e presidente da Apuvale, Tercides Freitas.

A eficiência do cultivo moderno reflete diretamente na capacidade de regeneração e colheita da cultura. “Numa lavoura tecnificada, uma única planta de pupunheira para extração de palmito pode dar dois cortes anuais, colhendo-se duas hastes de palmito. Eventualmente, numa mesma touceira, colhe-se três hastes”, diz Freitas.

Cultura do palmito ocupa 10 mil hectares no Vale do Ribeira

Um levantamento da Apuvale indica que a cultura do palmito iniciou-se no Vale do Ribeira como alternativa experimental na década de 1970 e hoje ocupa mais de 10 mil hectares, com mais de 40 milhões de palmeiras plantadas na região.

O lucro por hectare de pupunha gira em torno de R$ 10 mil a R$ 15 mil por ano, segundo a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), da secretaria de Agricultura de São Paulo. A cadeia produtiva local gera 10 mil empregos diretos, o que engloba cerca de 1,8 mil famílias, e abastece de 40 a 70 agroindústrias licenciadas na região. A atividade econômica fica atrás apenas da bananicultura no cenário regional.

Com lucro anual de até R$ 15 mil por hectare, o cultivo de palmito pupunha se consolida na região do Vale do Ribeira.Com lucro anual de até R$ 15 mil por hectare, o cultivo de palmito pupunha se consolida na região do Vale do Ribeira. (Foto: Marcio Franchetti/Apuvale)

Pupunha do Vale do Ribeira inova para conquistar EUA e Europa

A diversificação do catálogo impulsionou a aceitação comercial da pupunha. Além do formato tradicional em tolete e conserva, as indústrias do Vale do Ribeira processam o vegetal em opções como espaguete, arroz e lasanha de palmito, produtos direcionados ao segmento de baixas calorias.

A certificação do Inpi atesta a origem e as especificidades do manejo local para atender mercados da Europa e dos Estados Unidos, que demandam critérios de responsabilidade social, sustentabilidade e rastreabilidade na cadeia de suprimentos.

De acordo com a Apuvale, o selo oferece amparo jurídico para proteger a marca “Vale do Ribeira” contra falsificações e viabiliza a exportação direta por parte das agroindústrias locais, fator que diminui a intermediação comercial. “Com a medida, o palmito regional exibe a identificação de origem do sul paulista no mercado global”, afirma Andrade e Silva.

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