Pará – O acesso à internet nos lares paraenses continua avançando em ritmo acelerado e já alcança praticamente o mesmo patamar da média brasileira. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua 2025, divulgada pelo Instituto Brasileiro de geografia e Estatística (IBGE), que analisou o uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) no país.
O levantamento mostra que 93,5% dos domicílios do Pará já utilizam internet, percentual muito próximo da média nacional, de 95%. Em menos de uma década, o Estado registrou uma das maiores expansões do país: o índice saltou de 61,1% em 2016 para 93,5% em 2025, crescimento de mais de 32 pontos percentuais. Atualmente, cerca de 2,6 milhões de residências paraenses contam com acesso à rede.
Apesar do avanço, o estudo revela que o Pará ainda enfrenta desafios importantes na inclusão digital. Em praticamente todos os indicadores relacionados a equipamentos eletrônicos, televisão, computadores e serviços pagos de mídia, o Estado permanece abaixo da média brasileira.
TV perde espaço para internet
A pesquisa confirma uma mudança no comportamento dos consumidores. A televisão continua presente na maioria dos lares, mas vem perdendo espaço para dispositivos conectados à internet.
No Pará, 87,2% dos domicílios possuem televisão, índice inferior à média nacional (93,9%). Isso significa que cerca de 355 mil residências paraenses ainda não possuem aparelho de TV.
Mesmo assim, houve uma profunda modernização do parque tecnológico. Em 2016, menos da metade das residências paraenses possuía exclusivamente televisores de tela fina. Hoje esse percentual chegou a 95%, praticamente eliminando as antigas TVs de tubo, presentes em apenas 4,4% dos domicílios.
Outro dado que chama atenção é a redução da audiência da televisão aberta. Apenas 80,2% das residências paraenses com TV recebem sinal aberto, percentual inferior ao nacional (85,8%) e bem abaixo dos 93,1% registrados em 2022.
Streaming avança e TV por assinatura perde espaço
A popularização dos serviços de vídeo sob demanda também aparece na pesquisa.
Enquanto 44,4% dos domicílios brasileiros com televisão utilizam plataformas de streaming, no Pará esse percentual é de 35,8%, o equivalente a aproximadamente 869 mil residências.
Já a televisão por assinatura continua perdendo espaço. Apenas 14,8% dos lares paraenses com televisão mantêm serviço pago, bem abaixo da média nacional (23,5%) e inferior aos 19,2% registrados em 2016.
Segundo o IBGE, a flexibilidade oferecida pelas plataformas digitais, que permitem assistir conteúdos quando e onde o usuário desejar, explica a migração gradual da TV tradicional para o streaming.
Celular se consolida como principal tecnologia
O computador deixou de ser o principal equipamento para acesso à internet.
No Pará, apenas 25,7% dos domicílios possuem computador ou tablet, índice muito inferior ao brasileiro (40,9%).
Separadamente, 23,8% dos lares paraenses possuem computador, enquanto apenas 5,9% contam com tablet.
Apesar da redução proporcional ao longo dos anos, o número absoluto desses equipamentos cresceu no Estado, passando de 607 mil residências em 2016 para cerca de 715 mil em 2025.
Segundo o levantamento, o principal responsável pela mudança é o telefone celular, que passou a concentrar boa parte do acesso à internet.
Celular se consolida como principal tecnologia dos lares
O telefone móvel tornou-se praticamente universal no Pará.
Em 96,6% dos domicílios paraenses existe pelo menos um celular, percentual muito próximo da média brasileira (97,4%).
Em contrapartida, o telefone fixo praticamente desapareceu. Apenas 1,6% das residências paraenses ainda utilizam esse tipo de aparelho.
A cobertura da rede móvel também cresceu. Atualmente, 85,1% dos domicílios do Estado possuem funcionamento de rede celular, contra 92,9% na média nacional.
Rádio e casas inteligentes: avanços lentos
Outro equipamento que vem desaparecendo dos lares é o rádio convencional.
No Pará, apenas 38,3% dos domicílios possuem rádio, percentual inferior ao registrado em 2022 (50%) e abaixo da média nacional (46,9%).
O IBGE atribui essa redução ao crescimento dos serviços de streaming de música, podcasts e aplicativos disponíveis nos telefones celulares.
Casas inteligentes ainda avançam lentamente
Os chamados dispositivos inteligentes — como câmeras conectadas, caixas de som, lâmpadas, eletrodomésticos e outros aparelhos controlados pela internet — ainda têm presença limitada no Estado.
Em 2025, apenas 12,9% dos domicílios paraenses possuíam algum equipamento desse tipo, contra 20,2% na média brasileira.
Embora o percentual venha crescendo desde 2021, o avanço ocorre em ritmo inferior ao observado no restante do país.
Inclusão digital: avanços e desafios no Pará
Os dados da PNAD Contínua mostram que o Pará reduziu significativamente a distância em relação ao restante do Brasil no acesso à internet, impulsionado principalmente pela expansão da telefonia móvel e pelo uso crescente dos smartphones.
Ao mesmo tempo, o levantamento evidencia que persistem diferenças importantes no acesso a equipamentos tecnológicos, computadores, serviços de streaming e dispositivos inteligentes, indicando que a inclusão digital no Estado ainda enfrenta obstáculos relacionados ao poder de compra das famílias, à infraestrutura e à conectividade.
O cenário confirma uma transformação no perfil tecnológico dos lares paraenses: a internet tornou-se praticamente universal, enquanto televisão aberta, rádio, telefone fixo e até mesmo os computadores vêm cedendo espaço ao telefone celular como principal porta de entrada para o mundo digital.

