A Calçada da Fama de Hollywood é, no imaginário popular, o ápice do reconhecimento para qualquer artista global. No entanto, os bastidores para conseguir uma daquelas famosas placas de bronze incrustadas no chão de Los Angeles envolvem muito mais dinheiro e vaidade do que o público imagina.
O jornalista Matthew Belloni, especialista nos bastidores da indústria cinematográfica e colunista da newsletter Puck, revelou detalhes curiosos e embaraçosos sobre como o sistema realmente funciona.
Lágrimas “compradas” por US$ 85 mil
Segundo Belloni, para garantir uma estrela na calçada mais famosa do mundo, é preciso desembolsar a bagatela de US$ 85.000 (cerca de R$ 460 mil na cotação atual).
O valor é pago diretamente à Câmara de Comércio de Hollywood e serve para cobrir os custos de fabricação, instalação e a manutenção futura do local.
Embora o comum seja que os grandes estúdios de cinema e canais de TV banquem o valor como parte do marketing de algum lançamento, nem sempre é assim.
“Se não houver nenhum estúdio envolvido, o próprio artista ou seus fãs endinheirados pagam tudo do próprio bolso”, revelou Belloni. “Isso cria uma cena tipicamente hollywoodiana: o homenageado se debulhando em lágrimas de gratidão em um evento que ele mesmo comprou.”
Além do Pix de quase meio milhão de reais, a Câmara de Comércio exige apenas uma regra inflexível: o artista precisa se comprometer a comparecer pessoalmente à cerimônia.
A “zona proibida” ao lado de sex shop
Engana-se quem pensa que todas as calçadas do Hollywood Boulevard são iguais. A atração se estende por 15 quarteirões e, dependendo do local exato, a estrela pode se tornar um mico decorativo.
Os artistas que possuem o que Belloni chama de “influência suficiente” negociam ativamente com o comitê para escolher onde seu nome será cravado. O motivo? Ninguém quer ficar no “pior pedaço” da avenida.
O jornalista destacou que o trecho mais rejeitado pelas celebridades fica em frente à Hustler Hollywood, uma famosa e imensa loja de produtos eróticos e entretenimento adulto. Ficar do lado da vitrine de vibradores e lingeries é o pesadelo dos assessores de imprensa das estrelas mais conservadoras.
O mercado da bajulação
Para inflar ainda mais o ego dos escolhidos, a revista Variety, parceira oficial de mídia do evento, vende páginas e páginas de anúncios de “parabéns” para as celebridades na semana da inauguração.
Para Belloni, os artistas que compram esses anúncios para si mesmos entram na categoria das “pessoas com o menor senso de autocrítica da cidade”.

