Reviravoltas, disputas por herança, romances e mistérios têm movimentado os capítulos de “Quem Ama Cuida”, novela das nove da TV Globo. Por trás de cada cena exibida diariamente está uma equipe de roteiristas responsável pela construção da história, entre eles o paraense Wendell Bendelack, que colabora com os textos assinados por Walcyr Carrasco e Claudia Souto.
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Natural de Belém, iniciou a trajetória artística no Grupo Experiência, dirigido por Geraldo Salles. Após se formar em Direito em 1996, Wendell mudou-se para o Rio de Janeiro para seguir na carreira artística e, dois anos depois, concluiu a formação artística.
Wendell Bendelack e Walcyr Carrasco no lançamento da novela (Arquivo pessoal)
Segundo ele, o reconhecimento nacional veio com a peça “Surto”, que permaneceu em cartaz por 12 anos e é apontada por ele como um divisor de águas. “Eu vivia uma professora de teatro na peça. Toda noite fazia a plateia repetir: ‘Eu quero fazer novela’. Acho que o universo entendeu de outra forma esse desejo. O querer fazer novela acabou se transformando em escrever novela”, relembra.
Foi Claudia Souto quem aproximou o ator da teledramaturgia. A autora e Wendell se conheceram quando ela integrava a equipe de roteiristas do “Zorra Total”, e também escrevia para Rodrigo Fagundes, esposo do paraense, que durante anos deu vida ao personagem Patrick no programa de humor.
“Ela ficou sabendo da minha paixão por novelas, [da admiração pelo] Gilberto Braga e de decorar as falas Malu Mader. Quando escreveu a primeira novela dela, ‘Pega Pega’, me convidou para ser colaborador”, contou.
Desde então, Wendell participou da escrita de “Nos Tempos do Imperador”, “Elas por Elas”, “Cara e Coragem” e “Volta por Cima”, estas últimas também de Claudia Souto. Já o convite para integrar uma novela no horário nobre surgiu após ele manifestar esse desejo à direção da emissora.
“Conversei com as pessoas que organizam e alocam os autores nas tramas e falei que queria muito fazer uma novela das nove. Fui colocado na equipe do Walcyr. Depois ele convidou a Claudia para assinar a novela com ele. Então, estou no melhor dos mundos, com um autor que é um monstro sagrado e com uma parceira de várias novelas e uma grande amiga”, disse.
Processo de criação
Wendell descreve o processo de criação ao lado da dupla como uma experiência contínua de aprendizado. “Eles têm uma sintonia muito grande, construída em outras novelas. O Walcyr não tem pudor de meter a mão na massa, de investir no melodrama, nos sentimentos e nas surpresas. A Cláudia também gosta muito do mistério. É um casamento bastante saudável e estou muito feliz de estar com eles escrevendo uma novela das nove”, afirma.
Além dos bastidores da escrita, o paraense acompanha diariamente a reação do público, que ocorre em tempo real por meio das redes sociais. Segundo ele, essa interação influencia o processo de criação, embora a novela siga um planejamento previamente estruturado.
“É impressionante o poder da novela, principalmente da novela das nove. Todo mundo assiste, todo mundo ama, todo mundo odeia, todo mundo acha que tem uma solução melhor. A novela é uma obra aberta e a gente escreve para o público. Hoje a reação é imediata. Passou a cena e já acompanhamos os comentários. Sempre que possível, quando faz sentido dentro da história e há tempo para isso, buscamos atender às expectativas das pessoas”, diz.
Para o escritor, um dos diferenciais da faixa das nove é a possibilidade de aprofundar conflitos e trabalhar diferentes gêneros dentro da mesma narrativa.
“Sempre digo que novela é como um pacote de balas sortidas: tem que ter humor, drama, romance, suspense, mistério. Nesta história abordamos a relação tóxica da Elenice com o Tom, a descoberta da orientação sexual do Mau Mau e a relação dele com o avô, além da grande vilã, Pilar, que desperta reações muito fortes no público”, explique.
Wendell acrescenta que o objetivo não é oferecer respostas prontas, mas colocar temas em discussão, como por exemplo, o da homofobia velada. “Você coloca uma novela no ar e coloca um assunto na roda para ser discutido. A história do Mau Mau, por exemplo, acontece em muitas famílias. É preciso tratar esses temas com muito cuidado e respeito, porque a novela entra na casa das pessoas. Nada pode ser imposto. A ideia é abrir espaço para o diálogo”.
Próximos capítulos
Nos próximos capítulos, ele adianta que o público verá uma mudança importante na trajetória de Adriana (Letícia Colin). “Ela vai sair com um plano muito bem definido. Durante o período na prisão, vai estudar o próprio processo e decorar tudo o que aconteceu no julgamento. Ela vai lembrar de cada pessoa que participou da condenação e isso vai movimentar bastante a história”, conta, dando um leve spoiler.
Mesmo morando fora do Pará há alguns anos, Wendell mantém ligação uma forte ligação com o estado. Ele afirma ter diferentes projetos e sonhos ligados à sua trajetória artística.
“Fico muito feliz com esse carinho [do Pará]. Morro de saudade de Belém e tenho um sonho: um dia escrever um trabalho para a Dira Paes”, compartilhou.







