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Com mercado que beira US$ 10 tri, Pará fortalece turismo de bem-estar

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Pará entrou na rota do mercado de turismo de bem-estar, conhecido tecnicamente como turismo Wellness, onde os pontos de badalação são trocados por destinos alternativos, como áreas de preservação, comunidades ribeirinhas, fazendas e até aldeias indígenas. A intenção desses visitantes é trocar baladas e praias por experiências imersivas, como as atividades do cotidiano de quem mora nesses locais.

 

Projeção de entidades que atuam no setor estimam receitas de US$ 9,8 trilhões até 2029 com o turismo de bem-estar./Foto: Divulgação

No Pará, o pacote mais completo desse tipo de experiência tem como base Belém e inclui recepção com coquetéis de frutas amazônicas e apresentações de carimbó, além de imersões na Ilha do Combu, onde os visitantes acompanham de perto a extração do açaí direto da palmeira até o preparo tradicional do fruto. O roteiro também contempla vivências em plantações de cacau amazônico, degustação de peixes típicos e passeios opcionais de canoa pela região.

Mercado promissor

Dados da Global Wellness Institute, a GWI, entidade que reúne as empresas que atuam no setor, mostram que a economia global do bem-estar continua em forte expansão e crescendo 35% ao ano desde 2019. A projeção do instituto é que o mercado alcance US$ 9,8 trilhões até 2029, com crescimento anual médio de 7,6%. Para quem empreende no mercado nacional, o faturamento pode aumentar em até 30% com a modalidade.

O levantamento Tendências de Turismo 2026, do Ministério do Turismo, em parceria com a Embratur e a Braztoa, mostra que os destinos alternativos passaram a fazer parte das principais preferências dos viajantes para esse ano. A busca por autenticidade, imersão cultural, custos mais acessíveis e menos aglomeração vem transformando lugares pouco conhecidos em paraísos para um público mais exigente e focado em experiências.

Marajó no radar

Os itinerários oferecidos no Estado incluem, ainda, uma visita à Ilha do Marajó com experiências como produção artesanal do tradicional queijo de búfala, passeios montados nos animais e contato com artesãos das cerâmicas marajoaras. O público-alvo são executivos, casais, grupos de amigos acima dos 40 anos e famílias com filhos maiores de 15 anos – pessoas que, normalmente, buscam desacelerar e viver experiências autênticas.

A experiência welness é algo muito exclusivo e personalizado. Para quem organiza, o trabalho é dobrado, e os detalhes de uma viagem como essa precisam ser impecáveis. Quem trabalha no setor afirma, porém, que os ganhos compensam. Até porque a maior parte dos visitantes, nesse são pessoas de outros estados e de fora do país. Gente que não economiza quando o assunto é conhecer de perto e profundamente a região amazônica.

Amazônia no foco do mundo

Na prática, o turismo de imersão deixa de ser apenas um deslocamento e passa a ser vivência – fator que reposiciona destinos como a Amazônia no centro das novas demandas globais. Tanto para quem organiza quanto para quem viaja, isso representa uma verdadeira reconfiguração do próprio produto turístico.

O desafio, no entanto, está em equilibrar escala, preservação ambiental e autenticidade cultural sem descaracterizar o território. Quem conseguir estruturar produtos consistentes nesse modelo tende a capturar uma demanda global crescente e altamente qualificada. Quanto isso vai render de dinheiro para o setor só o tempo vai dizer. Mas, com certeza, não será pouco.

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