InícioCiência & TecnologiaComo o 'boom da IA' já está afetando o bolso dos consumidores

Como o ‘boom da IA’ já está afetando o bolso dos consumidores

A corrida global pelo desenvolvimento da inteligência artificial começou a impactar diretamente o bolso do consumidor final. O avanço acelerado dessa tecnologia gerou uma alta na procura por memória RAM, um componente essencial para o funcionamento de qualquer dispositivo eletrônico, desde servidores até smartphones, tablets e notebooks. Como a produção atual não dá conta de atender todo mundo, o custo desses chips disparou.

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Essa escassez ocorre porque gigantes da tecnologia, como Nvidia, AMD e Google, estão comprando grandes volumes de memória para equipar seus centros de dados focados em IA. A falta de estoque tem provocado um efeito cascata que já chega ao comércio varejista e altera as previsões do setor para os próximos anos.

O reflexo nos preços e no mercado

O repasse de custos para o consumidor já começou a se materializar. A Apple, por exemplo, anunciou um aumento nos preços de MacBooks e iPads, classificando a crise de abastecimento como um desafio sem precedentes. De acordo com dados da consultoria Gartner, a expectativa é que os preços dos computadores pessoais subam 17% e os dos smartphones fiquem 13% mais caros em relação aos patamares de 2025.

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Smartphones à venda – Imagem: Denis Klimov 3000/Shutterstock

Esse cenário deve desestimular a troca de aparelhos. As projeções indicam uma queda de 10,4% nos envios globais de PCs e de 8,4% no mercado de celulares. Especialistas apontam que a situação atual se diferencia de crises anteriores por dois fatores: a velocidade com que os preços estão subindo e o tempo prolongado que devem permanecer no topo, com previsões de normalização apenas para o final de 2027.

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Como o varejo e os consumidores reagem

A percepção do aumento por parte do público pode não ser imediata. Como o ciclo médio de troca de um notebook gira em torno de quatro a cinco anos, muitos usuários não se lembram do valor pago no modelo antigo e acabam não notando o reajuste. Além disso, mesmo pagando mais caro, o consumidor leva para casa um aparelho com capacidade muito superior à da sua última compra de anos atrás.

No setor varejista, grandes redes usaram estratégias para adiar o impacto:

  • Antecipação de estoque: Empresas como a Best Buy aumentaram as compras de componentes no início do ano para criar uma barreira temporária contra os reajustes.
  • Poder de barganha: Grandes varejistas têm mais facilidade para negociar com fornecedores e segurar os preços por mais tempo do que comércios de pequeno porte.
  • Foco na necessidade: Vendedores buscam focar na demonstração de recursos técnicos superiores para justificar o investimento do cliente.


Riscos de desabastecimento no longo prazo

A preocupação da indústria vai além da inflação dos produtos. Representantes do varejo internacional já acionaram órgãos governamentais pedindo uma análise sobre o desequilíbrio na distribuição dos chips. O temor é que a falta de matéria-prima resulte em prateleiras vazias e na escassez física de eletrônicos no mercado.

Se a crise persistir, fabricantes encontrarão dificuldades para promover novos recursos que dependem de hardware robusto, como as próprias funções nativas de inteligência artificial nos celulares. O resultado final pode ser a estagnação do mercado de eletroeletrônicos, forçando uma mudança nos planos de contratos e lançamentos de produtos com até um ano de antecedência.

Via CNBC

Daniel Junqueira

Daniel Junqueira

Daniel Junqueira é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo. Iniciou sua carreira cobrindo tecnologia em 2009.


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