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EUA, 250: Trump transforma 4 de Julho em palanque – 03/07/2026 – Mundo

Foram-se os cachorros-quentes, ficou a política. Neste 4 de julho, as celebrações da independência americana deixam em segundo plano o tradicional clima festivo para dar lugar a uma espécie de palanque para Donald Trump.

O presidente subirá ao palco em Washington para “sediar o mais espetacular comício de Trump de todos”, segundo suas próprias palavras, escritas em maiúsculas na rede Truth Social.

Esse tom eleitoral incomodou nas últimas semanas, levando a rixas. Diversos estados democratas decidiram não enviar delegações oficiais ao evento.

Americanos comemoram sua independência todo 4 de julho, remetendo ao dia em que, em 1776, o Congresso aprovou formalmente a separação dos Estados Unidos do Império Britânico.

Como este será o 250º aniversário do país, os preparativos estão em andamento há uma década. Em 2016, foi criada a comissão apartidária America 250 para coordenar eventos em todo o país.

Trump, no entanto, atropelou o planejamento ao criar o comitê paralelo Freedom 250 em parceria com a iniciativa privada. Foi o seu grupo, não o oficial, que recebeu a maior parte dos fundos alocados pelo Congresso.

O tom personalista ficou ainda mais claro quando uma série de artistas cancelou sua participação na semana de largada das celebrações. Trump os substituiu por um discurso seu no último dia 24. Começou falando sobre a assinatura da independência, mas logo voltou ao tema que costuma dominar suas falas: o próprio governo.

Neste sábado, o grande dia, Los Angeles terá um megashow com Queen Latifah, e a Filadélfia verá Christina Aguilera. Enquanto isso, Washington terá diante de si o presidente, adepto da dancinha de punhos fechados ao som de “Y.M.C.A.”, da banda Village People.

Como de praxe, Trump tem se referido ao “seu” 4 de Julho como a “maior” e “melhor” festa da história da independência. No quesito tamanho, pode cumprir a promessa.

Washington costuma disparar entre 10 mil e 20 mil fogos de artifício, em um evento que dura cerca de 20 minutos. Neste ano, os organizadores planejam lançar 850 mil fogos em 40 minutos. A ideia é entrar no livro dos recordes. O atual recordista é o Réveillon filipino de 2016, que teve 810 mil fogos.

Outra mudança é que o show pirotécnico deve começar entre 22h30 e 23h, em vez do horário usual das 21h. Segundo a imprensa local, o adiamento se deve ao cronograma do discurso de Trump. Levando em conta que os fogos vão durar mais, tudo terminará bem mais tarde do que o habitual.

Os ajustes significam uma quebra na rotina de uma cidade acostumada a celebrações previsíveis. Moradores de Washington têm reclamado, por exemplo, das dificuldades logísticas para assistir ao evento com crianças. O metrô teve de ajustar seus horários de operação. Jornais locais discutem como tranquilizar animais de estimação durante quase uma hora de explosões.

Com tudo isso, o evento ganhou um significado político e partidário que não tinha antes, além de gerar alguma má vontade. Não à toa, Trump pediu explicitamente aos seus seguidores que comparecessem ao discurso. Caso esteja vazio, disse, a imprensa usará isso contra ele.

O evento acontece no verão de Washington, uma cidade que costuma ter altas temperaturas e níveis de umidade sufocantes nesta época do ano. Está prevista uma temperatura máxima de 38°C, com possibilidade de temporal. O calor fez com que o evento fosse adiado para começar às 17h —antes, os portões abririam às 13h.

A preocupação com o vazio vai além do momento do discurso. A chamada Great American State Fair (grande feira estadual americana), inaugurada uma semana antes, tem sido criticada pela imprensa por não ter atraído um público tão expressivo, a despeito dos investimentos vultuosos. Para além do calor, pesa toda a celeuma em torno da organização.

A feira é uma espécie de exposição nacional realizada no National Mall, um imenso corredor de grama que vai do Capitólio até o Lincoln Memorial, que historicamente serviu de palco para celebrações e protestos.

Foi, em parte, a crescente politização que levou estados democratas a não participarem oficialmente dos eventos. À rede CNN, um porta-voz do Oregon citou os altos custos e a crescente preocupação “de que o evento de Washington esteja assumindo a forma de um ato mais partidário do que o originalmente planejado”.

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