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EUA integram lista de escândalos com sedes de Copas – 09/07/2026 – Esporte

A intervenção de Donald Trump para que a Fifa revisse a suspensão do atacante Folarin Balogun entrou para a lista de escândalos e polêmicas envolvendo seleções de países-sede dos Mundiais.

Em entrevista a jornalistas na Casa Branca na última segunda-feira (6), o presidente dos Estados Unidos admitiu ter pedido a revisão do cartão vermelho que tiraria Balogun do duelo contra a Bélgica, pelas oitavas de final. Gianni Infantino, presidente da Fifa, confirmou a ligação de Trump.

Existem ao menos cinco episódios que são lembrados com frequência por torcedores e pela imprensa como manchas na história das Copas do Mundo —seja por interferência política, seja por leniência da arbitragem com a seleção anfitriã.

O torneio deste ano chega à 23ª edição e foi disputado pela primeira vez em 1930, no Uruguai. A equipe celeste, primeira a levantar o caneco, segue como a única seleção campeã a não participar de uma edição seguinte. No caso, sediada pela Itália fascista e alvo de boicote sul-americano —exceto Brasil e Argentina.

A COPA DO ‘DUCE’ (1934)

Quatro anos depois do primeiro Mundial, o líder fascista Benito Mussolini, apelidado “Il Duce”, determinou quem seria o árbitro para apitar o duelo entre os donos da casa e a Áustria —à época uma das melhores equipes da competição, apelidada ‘Wunderteam’ (Time Maravilha, em alemão).

O juiz sueco Ivan Eklind, escolhido pelo regime fascista, esteve envolvido em pelo menos um lance polêmico da semifinal, em 1934. Aos 19 minutos de jogo, o arqueiro austríaco Peter Plazer deixou a meta para interceptar um cruzamento. O italiano Giuseppe Meazza disputou com Plazer pelo alto, que não logrou aparar o lançamento. Na sequência, a bola sobrou para Enrico Guaita —livre para marcar o único tento da partida.

Em meio às contestações austríacas, Eklind validou o lance. A vitória magra garantiu aos anfitriões presença na final, diante da Tchecoslováquia. Eklind também foi escalado para apitar a decisão do Mundial, vencido pelos italianos em 1934.

A edição é considerada até hoje por historiadores e pesquisadores uma operação de propaganda do regime fascista de Mussolini.

DITADURA ARGENTINA (1978)

Assim como Trump e Mussolini, o ditador argentino Jorge Rafael Videla teve uma Copa do Mundo para chamar de sua. O país vivia há dois anos um regime sangrento e persecutório contra dissidentes políticos, e o torneio poderia melhorar a imagem dos generais que governavam a Argentina.

Na segunda fase, os argentinos chegaram ao último jogo do Grupo B precisando bater o Peru por pelo menos quatro gols de diferença para superar a campanha brasileira e chegar à final. Os donos da casa golearam os peruanos por 6 a 0 e garantiram a vaga para enfrentar a Holanda.

A Folha mostrou que o goleiro do Peru à época, Ramón Quiroga, admitiu 20 anos mais tarde a fraude no Mundial sediado pela Argentina. O jogador, que também atuou pela seleção peruana na Copa da Espanha (1982), disse estar certo de que houve suborno. “Nessa partida atuaram jogadores que não haviam estado em nenhum outro jogo”, declarou o guarda-redes.

A Alviceleste bateu a Laranja Mecânica por 3 a 1 na decisão, em Buenos Aires, e conquistou o seu primeiro título de Mundiais da Fifa. A ditadura do general Videla vigorou no país vizinho até 1983.

A BATALHA DE SANTIAGO (1962)

A arbitragem da Copa sediada no Chile é alvo de críticas até hoje e classificada como permissiva. O resultado da omissão dos juízes naquele ano foi um dos jogos mais violentos —se não o mais— da história da competição.

A chamada “Batalha de Santiago” envolveu a seleção da Itália e os anfitriões, ainda na fase de grupos do torneio. Houve soco, chute, cuspe e voadora. Dois jogadores italianos foram expulsos de campo, mas o meio-campista Giorgio Ferrini se recusou a sair e teve de ser retirado por policiais no estádio. O Chile, em vantagem numérica, venceu o duelo contra os italianos por 2 a 0.

Anos mais tarde, na Copa do México (1970), a introdução dos cartões amarelo e vermelho teria a “Batalha de Santiago” como uma das inspirações para coibir agressões e atitudes antidesportivas. A sugestão veio de Ken Aston, ninguém menos que o árbitro que apitou aquele jogo na capital chilena.

DOIS É DEMAIS? (2002)

Contra a Itália, nas oitavas de final, os asiáticos da coanfitriã Coreia do Sul chegaram à igualdade nos minutos finais, depois de os europeus saírem na frente ainda na primeira etapa. O empate na prorrogação levaria a decisão para as penalidades.

Totti foi derrubado dentro da área por Song, mas o juiz Byron Moreno mostrou cartão amarelo para o atacante, por simulação, Como já estava “amarelado”, teve de deixar o campo.

Na sequência, o volante Damiano Tommasi recebeu em condição legal e marcou para a Azzurra, mas a arbitragem assinalou impedimento do jogador. Os sul-coreanos marcaram o “gol de ouro” com Ahn Jung-hwan na prorrogação e eliminaram os europeus.

Nas quartas, outra atuação da arbitragem contribuiu para a queda da Espanha diante da mesam Coreia do Sul. A “Fúria Roja” teve um gol que lhe daria a vantagem anulado pelo juiz Gamal Ghandour, por um puxão na origem do lance.

Na prorrogação, Morientes teve um gol de cabeça anulado, depois de receber cruzamento dentro da área. Ghandour entendeu que a bola saiu pela linha de fundo antes de chegar ao atacante, o que não aconteceu. Seria o “gol de ouro” espanhol que eliminaria os donos da casa.

Nas penalidades, a única defesa foi do guarda-metas Lee Woon-jae, que se adiantou em três passos, antes de Joaquín cobrar. Ghandour validou, e a Coreia do Sul foi à semifinal.

O GOL DE WEMBLEY (1966)

A Inglaterra entrou em campo na final da Copa de 1966, em Wembley, para encarar a Alemanha Ocidental. Se a rivalidade já existia entre os dois países, a decisão do torneio serviu para esquentar ainda mais os ânimos.

O jogo estava na prorrogação, empatado em 2 a 2, quando os ingleses marcaram o gol fantasma mais conhecido da história.

O goleador britânico Geoff Hurst, de dentro da área, chutou contra a meta defendida pelo alemão Hans Tilkowski. A bola subiu, pegou na parte de baixo do travessão e quicou sobre a linha antes de um defensor alemão afastá-la de cabeça. Confuso, o árbitro suíço Gottfried Dienst correu até o banderinha, que sinalizou o gol.

A regra diz que o gol só pode ser validado se a bola passar por completo a linha entre as duas traves. Os alemães lembram do ocorrido como “Wembley-Tor” (gol de Wembley, em alemão). Na ocasião, a arbitragem foi determinante para a vantagem dos donos da casa, que ainda marcaram mais uma vez, minutos depois. Inglaterra 4 a 2, e a taça ficou com os anfitriões.

Décadas mais tarde, os ingleses marcaram em lance semelhante contra a Alemanha, em jogo válido pelas oitavas de final da Copa da África do Sul (2010). Dessa vez, no entanto, o gol não foi validado —ainda que a bola tenha entrado completamente. O jogo terminou 4 a 1 para os alemães, que desde a final em Wembley nunca mais perderam para a Inglaterra em partidas de Copa do Mundo.

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