Uma investigação que mobilizou forças de segurança de dois estados colocou fim a uma fuga que durava mais de quatro décadas. Um homem condenado por provocar um dos acidentes mais marcantes da história do Carnaval de Natal (RN) foi preso, na última sexta-feira (26), em Cuiabá (MT), onde vivia sob identidade falsa desde que deixou o Rio Grande do Norte.
Aluísio Farias Batista, de 68 anos, era procurado pela Justiça desde o episódio que ficou conhecido como Tragédia do Baldo, ocorrido em 1984. Segundo a Polícia Civil, ele havia reconstruído a vida na capital mato-grossense, formado uma nova família e utilizava documentos emitidos em nome de uma pessoa já falecida para ocultar sua verdadeira identidade.
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A prisão foi resultado de uma operação conjunta das polícias civis do Rio Grande do Norte e de Mato Grosso, com apoio da Polícia Federal. As investigações começaram após um pedido de cooperação encaminhado pela polícia potiguar à Gerência Estadual de Polinter e Capturas de Mato Grosso.
A partir daí, equipes especializadas iniciaram um trabalho de inteligência que envolveu cruzamento de informações, levantamento de dados e sistemas de reconhecimento facial para localizar um homem com características compatíveis às do condenado.
Como a semelhança física, por si só, não era suficiente para confirmar a identidade, a investigação foi ampliada com o apoio da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) e de setores do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MT), responsáveis por auxiliar na análise de documentos e registros.
Paralelamente, policiais realizaram diligências em campo até identificarem um imóvel no bairro Jardim Presidente I, em Cuiabá, onde o foragido levava uma rotina considerada discreta pelas autoridades. O mandado de prisão foi cumprido na residência.
Em nota, a delegada Silvia Maria Pauluzzi de Siqueira, responsável pela Gerência de Capturas, destacou que a criação do Núcleo de Inteligência ampliou a capacidade de localizar pessoas procuradas, tornando mais eficiente a análise de informações e o apoio às equipes de investigação.
A reportagem procurou a Defensoria Pública de Mato Grosso, responsável pela assistência jurídica prestada ao condenado no momento da prisão, mas não obteve retorno até a publicação da matéria.
Tragédia marcou o Carnaval de 1984
A condenação de Aluísio está relacionada a um dos episódios mais trágicos já registrados durante o Carnaval da capital potiguar. Na época, o ônibus conduzido por ele atropelou integrantes do tradicional bloco carnavalesco Puxa-Sacos, provocando a morte de 19 pessoas e deixando dezenas de feridos.
Entre as vítimas estavam o neto do então senador Dinarte Mariz e cinco sargentos da Polícia Militar, o que deu grande repercussão nacional ao caso. Em depoimento citado pela Polícia Civil, o motorista afirmou que havia encerrado seu expediente quando recebeu a determinação para substituir outro condutor em uma viagem.
Segundo sua versão, ao chegar à região conhecida como Baldo, conduzia um ônibus lotado de integrantes de uma escola de samba por uma via com pouca iluminação. Ele relatou que precisou desviar de um Fusca que trafegava à frente e, ao retornar para a pista, encontrou outra escola de samba ocupando a via, não conseguindo evitar o atropelamento.
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As circunstâncias do acidente foram analisadas pela Justiça, que condenou o motorista. No entanto, antes do cumprimento da pena, ele deixou o Rio Grande do Norte e permaneceu foragido por 42 anos, período em que viveu sob identidade falsa até ser localizado pelas forças de segurança.

