A Casa Branca confirmou na quinta-feira (9) que o governo Trump destituiu os três membros restantes de uma comissão independente e bipartidária que apoia os estados na administração de suas eleições.
A medida ocorre no momento em que o presidente Donald Trump tenta lançar dúvidas sobre o resultado das próximas eleições de meio de mandato, as midterms, e impor controle sobre como as cédulas são contadas.
Trump demitiu, com efeito imediato, Thomas Hicks e Benjamin Hovland, dois membros selecionados pelos democratas no Congresso para servir na Comissão de Assistência Eleitoral, e aceitou a renúncia de uma integrante republicana, Christy McCormick.
O conselho não tem outros membros restantes, já que seu quarto comissário renunciou na primavera deste ano.
Um funcionário não identificado da Casa Branca emitiu um comunicado dizendo que Trump se reservava o direito de remover indivíduos que “possam não estar totalmente alinhados com a importante tarefa de proteger as eleições na América e garantir que cada voto legal seja contado”.
O funcionário da Casa Branca classificou as demissões como parte da estratégia do governo federal de trabalhar de forma interinstitucional para proteger as eleições contra fraudes e abusos.
A fonte citou ainda a recente decisão da Suprema Corte que determinou que Trump tem autoridade para demitir a maioria dos reguladores independentes por qualquer motivo, inaugurando uma vasta expansão do poder presidencial. Trump celebrou a decisão como “o maior aumento no poder presidencial nos últimos cem anos”.
Trump vem preparando o terreno há meses para alegar que os republicanos enfrentarão midterms dificeis não por causa da guerra amplamente impopular no Irã e da queda vertical nos índices de aprovação da economia, mas porque o sistema eleitoral do país seria fraudulento.
Trump, que afirmou falsamente que a eleição que perdeu em 2020 foi “fraudada”, vem pressionando por uma legislação que imporia requisitos rigorosos de identificação dos eleitores. Ele pediu a redução significativa do uso de cédulas por correio. Ele, sem provas, disse que os democratas usaram-nas para trapacear o resultado. Trump votou por correio em uma eleição especial na Flórida em março.
A Comissão de Assistência Eleitoral, criada em 2002, é uma salvaguarda crucial para garantir a segurança eleitoral em todo o país.
De acordo com o seu site, ela orienta os estados para garantir que cumpram os requisitos de votação, supervisiona os testes e a certificação dos sistemas de votação e distribui fundos para ajudar os estados a cumprirem as exigências.
A comissão serve como uma central nacional de informações sobre a administração eleitoral e mantém o formulário nacional de registro de eleitores por correio estabelecido pela Lei Nacional de Registro de Eleitores de 1993.
No ano passado, Trump emitiu um decreto presidencial que exige que a Comissão de Assistência Eleitoral passe a cobrar dos cidadãos a apresentação de comprovante de cidadania americana emitido pelo governo para se registrarem para votar em eleições federais, além de orientar as autoridades estaduais ou locais a registrar e verificar as informações.
O decreto também tenta obrigar os estados a contar as cédulas até o dia da eleição. Um juiz bloqueou permanentemente a ordem, afirmando que o presidente excedeu sua autoridade.
Michael Waldman, presidente e diretor executivo do Brennan Center for Justice da Faculdade de Direito da Universidade de Nova York, chamou as destituições, em comunicado, de “profundamente preocupantes, diante dos esforços implacáveis do presidente Trump para tentar interferir nas eleições”.

