Israel publicou nesta quinta-feira (18) um mapa mostrando uma zona ampliada de controle militar no sul do Líbano e afirmou que não descarta fazer ataques além dessa área, desafiando os termos do entendimento entre os Estados Unidos e o Irã que prevê o respeito à soberania libanesa.
A chamada “zona de segurança” avança quase 10 km dentro do território libanês. O Exército de Israel informou que suas tropas permanecerão na região “para eliminar ameaças” do grupo extremista Hezbollah, aliado de Teerã.
Uma autoridade israelense de alto escalão disse à agência Reuters que Tel Aviv está conduzindo “negociações difíceis” com o governo do presidente Donald Trump para manter a área ocupada.
O mapa divulgado indica uma ampliação significativa da área sob controle israelense. Em abril, as Forças Armadas haviam apresentado uma versão que delimitava a área. A nova atualização mostra que as tropas passaram a operar vários quilômetros mais ao norte, alcançando áreas próximas a Nabatieh, um dos principais redutos do Hezbollah.
Embora tropas israelenses atuem em parte dessas regiões há várias semanas, esta é a primeira vez que o Exército reconhece a ampliação da zona sob seu controle, destacada em vermelho escuro no mapa divulgado nesta quinta-feira.
Em discurso televisionado na quarta (17), o líder do Hezbollah, Naim Qassem, rejeitou a ideia do estabelecimento de zonas de segurança israelenses em território libanês. “Não há zonas amarelas, vermelhas ou verdes. Israel deve sair, e sairá”, afirmou.
Um acordo provisório assinado também na quarta para encerrar a guerra no Oriente Médio prevê o fim dos combates em todas as frentes, incluindo no Líbano, e exige que as partes garantam “a integridade territorial e a soberania” do país.
Israel vem rejeitando os apelos para retirar suas tropas do território do país vizinho. A invasão israelense motivou o deslocamento de mais de um milhão de pessoas na região, segundo as autoridades, e causou ao menos 1.530 mortes.
Desde o anúncio do acordo entre Teerã e Washington, a intensidade da violência no sul libanês caiu, mas não cessou. Segundo a agência libanesa NNA, três pessoas morreram nesta quinta em várias ofensivas atribuídas a Tel Aviv. Um dos episódios envolveu um ataque com drone que atingiu um carro na região de Kfar Tebnit.
Já o Hezbollah intensificou seus ataques contra tropas israelenses no sul do país nesta semana, incluindo com o uso de drones explosivos que deixaram soldados mortos e feridos.
O grupo extremista arrastou o Líbano para o conflito ao atacar Israel em solidariedade ao Irã. Em resposta, Israel lançou uma campanha de bombardeios e uma ofensiva terrestre no sul do país.
Apesar de serem aliados, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, e o presidente americano, Donald Trump, entraram em rota de colisão diversas vezes nas últimas semanas por causa da situação no Líbano.
Em Israel, integrantes tanto da base governista quanto da oposição criticaram o acordo negociado por Washington, argumentando que ele não contempla de forma adequada as preocupações de segurança do país.
Trump não escondeu sua irritação com Netanyahu e chegou a criticar as operações militares israelenses no Líbano, afirmando que não era necessário destruir prédios inteiros para perseguir integrantes do Hezbollah. Até o momento, porém, não há indícios de que essas divergências se traduzam em medidas concretas capazes de levar Tel Aviv a rever sua estratégia militar.
Israel descreve as áreas que ocupa no Líbano, na Faixa de Gaza e na Síria como “zonas de amortecimento” destinadas a separar seu território de forças consideradas hostis, um dos pilares de sua atual política de segurança.
A divulgação do mapa, nesta quinta, ocorreu antes de uma nova rodada de negociações entre Israel e Líbano mediadas pelos EUA, marcada para a próxima semana em Washington.
Autoridades israelenses, falando sob a condição de anonimato, afirmam que Israel deixou aberta a possibilidade de se retirar do sul do Líbano caso as negociações avancem.

