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Morre Ramiro Valdés, herói da Revolução Cubana, aos 94 – 21/06/2026 – Mundo

Ramiro Valdés, um dos primeiros colaboradores de Fidel Castro e considerado um herói da Revolução Cubana, morreu neste domingo (21) aos 94 anos, informou o presidente cubano Miguel Díaz-Canel nas redes sociais. A causa da morte não foi informada.

Alto funcionário do governo durante décadas após a ascensão dos rebeldes de Castro ao poder em 1959, Valdés detinha os títulos honorários de “herói da República” e “comandante da revolução” e fez parte do poderoso bureau político do Partido Comunista Cubano até 2019.

Em uma publicação no X, Díaz-Canel disse que a morte de Valdés “dói profundamente, como a de um pai”. “Até a vitória, sempre, comandante!”, escreveu.

Nascido em 28 de abril de 1932, Valdés tinha apenas 21 anos quando lutou ao lado de Fidel Castro no ataque ao quartel de Moncada, que deu início à revolta de 1953 contra a ditadura de Fulgencio Batista.

Exilado com Castro no México, ele foi um dos 82 homens que navegaram no iate Granma até Cuba em 1956 para reiniciar a insurreição —e um dos 12 sobreviventes.

Entre eles estavam Castro, que morreu em 2016, seu irmão mais novo e posterior presidente e chefe do Partido Comunista, Raúl Castro, e Ernesto Che Guevara, o revolucionário argentino que foi morto a tiros na Bolívia em 1967 enquanto tentava iniciar uma insurreição naquele país.

Valdés juntou-se aos irmãos Castro nas montanhas da Sierra Maestra, no leste de Cuba, servindo como vice-comandante de Guevara. Ele lutou ao lado de Guevara na decisiva Batalha de Santa Clara, nos últimos dias antes de Batista fugir do país em 1º de janeiro de 1959.

Ele então chefiou a agência de segurança criada após Fidel Castro assumir o poder.

Valdés compartilhava parte do carisma de Castro e Guevara e, como eles, usava fardas verde-oliva nos corredores do poder. Até o fim, manteve o cavanhaque ao estilo de Leon Trótski que usava desde os primeiros dias da revolução. Fanático por exercícios físicos, manteve uma rotina de atividades até bem depois dos 80 anos.

Entre os cargos que ocupou ao longo dos anos, destacam-se o de ministro do Interior, vice-ministro da Defesa, ministro da Informação e Comunicações e vice-presidente.

Mesmo enquanto Raúl Castro buscava supervisionar a transição de poder de sua chamada “geração histórica” para líderes mais jovens, passando a presidência que herdou de seu irmão para Díaz-Canel, de 60 anos, em 2018, Valdés permaneceu em posições-chave do governo, mais recentemente como vice-primeiro-ministro, com foco na crise energética da ilha.

Ainda ativamente envolvido com os detalhes das frequentes faltas de energia elétrica na ilha, ele aparecia regularmente em trajes militares ao lado de Díaz-Canel, incentivando os cubanos a apagarem as luzes, reduzirem o consumo e manterem seu fervor “revolucionário”.

Valdés sempre se manteve leal à revolução, aos seus líderes e ao sistema de partido único, inclusive durante os períodos mais difíceis do país.

“Não podemos esquecer que chegamos aqui graças à união do povo e à sua confiança na revolução”, disse Valdés na comemoração do seu aniversário de 61 anos, em 2014. “Devemos preservar essa união acima de tudo, porque sabemos que essa luta não terminou.”

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