Movimento combina busca por autonomia de escolha, conhecimento e valorização de experiências coletivas; plataformas voltadas à organização de encontros crescem.
As mulheres passaram a ocupar um papel central na transformação do mercado de vinhos no Brasil. Além de já representarem a maioria dos consumidores, elas vêm influenciando novos hábitos de consumo e fortalecendo uma cultura baseada no aprendizado, na troca de experiências e na participação em eventos e degustações.
Segundo o relatório IWSR Brazil Wine Landscapes 2025, as mulheres representam 53% dos consumidores de vinho no país, número que cresceu 6 pontos percentuais em relação a 2019. Mais do que ampliar sua participação no mercado, elas também vêm redefinindo preferências.
O consumo de vinhos brancos passou de 15% para 20% do mix, enquanto os rosés cresceram de 5% para 8%. O perfil das consumidoras também se diversificou: a participação da faixa de 55 a 64 anos aumentou de 14% para 19%, embora quase metade (48%) ainda esteja concentrada entre 25 e 44 anos.
Essa mudança se reflete na forma como o vinho é consumido. Em vez de uma experiência restrita a ocasiões especiais, cresce o interesse por encontros regulares, degustações, eventos e atividades voltadas ao aprendizado, criando uma comunidade cada vez mais engajada em torno da cultura do vinho.
A sommelière e sócia-proprietária do Le Jardin Bistrot, Márcia Cruz, observa que esse movimento já faz parte da rotina do setor. Segundo ela, grupos femininos têm se organizado para experimentar novos rótulos e aprofundar conhecimentos. Na avaliação da especialista, o avanço está relacionado ao maior acesso à informação, ao aumento da independência financeira e ao desejo de socialização. “Hoje há grandes grupos de mulheres que se reúnem para experimentar bons vinhos, estudar e trocar impressões”, afirma.
Essa percepção ganha eco na trajetória de consumidoras que transformaram o interesse pela enologia em prática recorrente de convivência. Integrante do grupo Garotas do Vinho, Vivian Manzur conta que sua relação com a bebida começou no ambiente familiar e evoluiu para uma busca consciente por rótulos mais complexos. “Na mesa dos meus tios havia sempre boas garrafas e diversificação, e isso despertou minha curiosidade para investir em escolhas melhores”, diz.
Vivian afirma que o interesse se aprofundou a partir de viagens enogastronômicas. “Em Portugal, visitei vinhedos e fiz cursos. Depois disso, eu e meu marido, junto com um casal de amigos, passamos a planejar roteiros com foco no vinho. É assim que vamos aprendendo”, relata.
Para ela, a presença feminina nesse universo expandiu-se visivelmente nos últimos anos. “Eu formei uma confraria com mais de 100 mulheres que apreciam a bebida. Nós gostamos de aprender, mas também de degustar as conversas e as risadas à mesa”, afirma Vivian, destacando o caráter agregador do vinho, que hoje mobiliza grupos em diferentes regiões do país.
Etienne Carvalho, jornalista, sommelière e estudante de Viticultura e Enologia, também percebe uma mudança geracional e de postura. Para ela, o vinho deixou de ser associado a escolhas estereotipadas e passou a representar um terreno de descoberta e autonomia. “Cada vez mais encontramos mulheres entendendo o que estão bebendo, debatendo de igual para igual e fazendo escolhas conscientes sobre seus próprios gostos”, pontua.
A liderança feminina também cresce na atuação profissional. Mulheres ocupam cada vez mais espaço em áreas como sommelieria, enologia, gestão de negócios e eventos. Embora esse avanço amplie a diversidade, ele também evidencia um processo de transição em um ambiente historicamente marcado pela predominância masculina.
Este amadurecimento do mercado e o boom das confrarias criaram uma nova demanda: ferramentas capazes de facilitar a gestão dessas agendas coletivas. Nesse cenário, ganha espaço o Tchin Tchin, aplicativo brasileiro disponível para Android e iOS que reúne recursos para criação, organização e divulgação de degustações, confrarias e eventos ligados ao setor.
“A expansão desse ecossistema acompanha um público cada vez mais interessado em conteúdo, conexões e vivências reais. Com o acesso ampliado a cursos, plataformas digitais e enoturismo, cresce o número de mulheres que desejam estudar e consumir com total autonomia”, afirma Paulo Vasconcellos, diretor de Tecnologia da Mira Artis, empresa responsável pelo Tchin Tchin.
Segundo Vasconcellos, a tecnologia atua como um facilitador para aproximar pessoas com interesses em comum e consolidar comunidades. “O vinho deixou de ser somente um produto para se tornar um espaço de encontro e descoberta. Nosso objetivo é fortalecer esse ecossistema, tornando mais simples a organização desses momentos.”
Sobre o Tchin Tchin
O Tchin Tchin é um ecossistema digital brasileiro de vinhos que une aprendizado, curadoria humana e conexões locais. A plataforma ajuda consumidores e entusiastas a escolher, degustar e presentear com mais confiança, por meio de uma experiência acessível, prática e sem a formalidade que tradicionalmente distancia parte do público do universo do vinho. O aplicativo está disponível para download gratuito na App Store e na Google Play.

