A rotina da família Rodilha dos Santos nunca mais foi a mesma desde a tarde de 11 de maio de 2025, Dia das Mães. O que deveria ser uma viagem em família terminou em uma tragédia que destruiu sonhos, deixou sequelas permanentes e provocou a morte de um adolescente de apenas 14 anos.
Agora, mais de um ano depois do acidente, os familiares de Pedro Henrique Rodilha dos Santos fazem um apelo para que o caso não seja esquecido. A expectativa é que o motorista Maycon Douglas Gomes Teixeira, que já responde como réu por homicídio qualificado por dolo eventual, seja levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.
“Nossa casa perdeu a alegria“. É dessa forma que Davi Rodilha, irmão de Pedro Henrique, resume o impacto provocado pela tragédia.
“O falecimento do Pedro simplesmente dilacerou a nossa família. A nossa casa perdeu a alegria, e os nossos dias viraram uma mistura de dor profunda pela ausência dele com a rotina pesada de cuidados com a saúde e a recuperação do meu pai. Nossa vida foi completamente interrompida”, desabafa.


O acidente mudou a vida de toda a família
Naquele 11 de maio de 2025, Davi viajava ao lado do pai, Jânio Venâncio dos Santos, da mãe, Kátia Silene Rodilha dos Santos, da irmã Suzana Rodilha dos Santos e do irmão caçula, Pedro Henrique, pela PA-458, estrada que liga Bragança à praia de Ajuruteua.
Segundo a investigação e a denúncia apresentada pelo Ministério Público, o veículo conduzido por Maycon Douglas Gomes Teixeira, morador de Taguatinga, no Distrito Federal, invadiu a contramão em uma curva e provocou uma colisão frontal que destruiu completamente o carro onde estava a família.
Ainda conforme os autos, o motorista recusou o teste do bafômetro. No entanto, o Termo de Comprovação de Alcoolemia (TCA) aponta que agentes de trânsito identificaram odor de álcool no hálito, sonolência e comportamento excessivamente falante, sinais registrados oficialmente como alteração da capacidade psicomotora.
De acordo com a família, Maycon foi preso em flagrante logo após o acidente, mas deixou a prisão em menos de 24 horas depois de pagar fiança equivalente a cinco salários mínimos.


Pedro lutou por 50 dias
A vítima mais jovem da família travou uma longa batalha pela vida. Pedro Henrique Rodilha dos Santos permaneceu internado por aproximadamente 50 dias. Durante esse período, familiares acompanharam cada boletim médico na esperança de um milagre.
Mas, em 1º de julho de 2025, o adolescente não resistiu aos ferimentos provocados pela colisão. A dor da perda ainda acompanha todos os familiares. “Perdemos muito mais do que um irmão. Perdemos a alegria da nossa casa”, desabafa Davi.
A tragédia também mudou para sempre a vida de Jânio Venâncio dos Santos, pai de Pedro. Ele ficou 47 dias internado e sofreu graves fraturas na bacia, quadril, ombro e punho. Hoje, convive com sequelas permanentes, consequência direta da violência da colisão.
Enquanto tenta se recuperar fisicamente, também enfrenta o luto pela morte do filho. Segundo Davi, toda a rotina da família passou a girar em torno dos cuidados com o pai e da ausência irreparável deixada por Pedro.
Família conseguiu mudar o enquadramento do crime
Inicialmente, o caso era tratado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar. A família não concordou com esse entendimento e apresentou recurso.
Posteriormente, o Tribunal de Justiça do Pará determinou que o processo retornasse para a Vara Criminal de Bragança com o enquadramento em homicídio qualificado por dolo eventual, quando existem indícios de que o condutor assumiu o risco de produzir o resultado morte.
Na sequência, o juiz recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público e Maycon Douglas Gomes Teixeira tornou-se réu na ação penal.


Audiência pode definir envio do caso ao Tribunal do Júri
O processo agora segue na fase de instrução. A audiência está marcada para 25 de março de 2027. Nessa etapa, testemunhas serão ouvidas e novas provas serão produzidas.
Depois disso, caberá ao juiz decidir se existem elementos suficientes para pronunciar o réu e encaminhar o caso ao Tribunal do Júri, responsável por julgar crimes dolosos contra a vida.
É justamente essa decisão que a família aguarda. “Precisamos muito dessa força na divulgação para mostrar que a distância do acusado não vai nos calar e que a vida do Pedro e a saúde do meu pai exigem justiça”, insiste Davi.
Família diz que busca Justiça, não vingança
Em nota divulgada pelo escritório Brazão Advocacia & Consultoria, que atua como assistência de acusação, os familiares reforçam que não pretendem transformar o caso em um ato de vingança.
O objetivo, segundo o documento, é que o processo siga o devido rito legal e que todas as provas sejam analisadas para que o Poder Judiciário dê uma resposta compatível com a gravidade dos fatos.
A nota também informa que a família recebeu relatos de que Maycon Douglas Gomes Teixeira teria deixado o emprego que exercia em uma companhia aérea e poderia deixar o país. Entretanto, o próprio escritório ressalta que essas informações não foram confirmadas documentalmente, não fazem parte da ação penal e caberá exclusivamente às autoridades verificar eventual relevância desses relatos.
Enquanto aguarda os próximos passos da justiça, Davi afirma que a família continuará falando sobre Pedro. “Nada vai trazer meu irmão de volta. Mas queremos que a história dele não seja esquecida. Queremos justiça”, apela Davi. Pelo perfil Justiça por Pedro Rodilha, no Instagram, a família compartilha informações sobre o caso e mantém viva a memória do garoto que viveu apenas 14 anos, na esperança que o crime não fique impune.
A reportagem do DIÁRIO tentou obter contato, sem sucesso, com pelo menos duas advogadas que seriam integrantes da equipe de defesa de Maycon Douglas. O espaço segue aberto para qualquer posicionamento por parte do acusado e/ou de seus advogados.

