A cúpula do Brics, realizada em Nova Délhi, na Índia, evitou o fracasso ao aprovar por unanimidade a Declaração de Nova Délhi, documento que reuniu líderes de economias emergentes e potências regionais em um cenário marcado por tensões geopolíticas, especialmente pela rivalidade entre Irã e Emirados Árabes Unidos no contexto da guerra no O riente Médio.
Contexto Institucional e Diplomático do Encontro
A 16ª Cúpula dos Brics, realizada entre 14 e 16 de outubro de 2023, consolidou-se como palco de negociações que transcendem mero simbolismo econômico, revelando a complexidade das relações internacionais entre países com interesses divergentes e trajetórias históricas conflitantes. A aprovação unânime da Declaração de Nova Délhi, fruto de intensas negociações de última hora, assegurou a continuidade do bloco em meio a disputas abertas, como a divisão entre aliados do Irã e aliados dos Emirados Árabes Unidos, cujas posições opostas na guerra no O riente Médio ameaçavam paralisar o processo decisório.
Nos bastidores, fontes da Secretaria de Segurança do Ministério das Relações Exteriores indiano confirmaram que a inclusão de referências diretas à Ucrânia ou à invasão russa teria gerado veto imediato por parte da Rússia, país que mantém posição central no bloco. A estratégia adotada foi manter o texto genérico, enfatizando a 'máxima contenção' sem apontar culpados, medida que agradou tanto a Moscou quanto a Washington, já que a Presidência do grupo passará à China em 2024, na sequência da atual rota de rotação.
O primeiro contato direto entre o presidente iraniano Masoud Pezeshkian e o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, xeque Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan, desde o início da guerra no O riente Médio ocorreu logo após o encerramento da primeira sessão oficial da cúpula.
Repercussão Geopolítica e Desafios de Implementação
A ausência de menção explícita à Ucrânia no comunicado final gerou críticas de países ocidentais e reforçou a percepção de fragilidade institucional do bloco perante conflitos armados de grande escala. O ministro das Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, afirmou que a prioridade imediata era garantir a coesão do grupo diante da pressão das grandes potências, sem abrir mão da diplomacia equilibrada.
Com a próxima cúpula programada para ocorrer em território chinês sob a presidência de Pequim, analistas apontam que o próximo encontro será decisivo para evidenciar se o Brics está disposto a avançar além da retórica diplomática rumo à construção efetiva de instituições alternativas ao sistema financeiro internacional dominado pelos EUA.



