Com as pesquisas de boca de urna em Israel indicando que nem o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nem seu principal adversário, Gadi Eisenkot, possuem um caminho claro para obter uma maioria que lhes permita governar, o cenário de coalizões pós-eleição permanece totalmente em aberto.
Um impasse, um governo minoritário, um governo de unidade — ou até mesmo uma nova eleição — são, no momento, possibilidades plausíveis.
As notícias são ruins para Netanyahu. Seu bloco, composto por aliados ultraortodoxos e de extrema-direita, perdeu a maioria, passando de 68 cadeiras para apenas 50. As pesquisas de boca de urna projetam que seu partido, o Likud, manterá uma representação expressiva de 24 cadeiras, permanecendo como a maior legenda.
Ainda assim, o número está bem abaixo das 61 cadeiras necessárias para formar maioria no parlamento, que conta com 120 assentos. Para permanecer no poder, Netanyahu precisa, fundamentalmente, de uma coalizão.
O bloco de oposição detém, no papel, um número expressivo de 70 cadeiras; contudo, a realidade é que ele se encontra fragmentado e dividido, o que dificulta a definição de um caminho a seguir. Os partidos sionistas judaicos somam 52 cadeiras, enquanto os partidos árabes devem conquistar um recorde de 18 assentos — a maior representação árabe já registrada.
O partido Yashar, de Eisenkot, aparece nas projeções como a maior força dentro do bloco de oposição, com 22 cadeiras. No entanto, outros líderes partidários desse mesmo bloco descartaram a possibilidade de um governo que dependa de apoio árabe, o que complica significativamente qualquer tentativa de remover Netanyahu do poder.
A participação recorde do eleitorado árabe parece ser um dos aspectos mais marcantes destas eleições. Os cidadãos palestinos de Israel — que representam cerca de 20% da população do país — tradicionalmente registram taxas de comparecimento às urnas inferiores à média nacional. Na eleição de 2022, a participação árabe foi de 53%; desta vez, estima-se que tenha saltado para mais de 78%.
Esse movimento é interpretado como um voto de protesto contra o governo de Netanyahu e seus aliados de extrema-direita: o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, e o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich.
Por outro lado, a alta taxa de comparecimento eleva a exigência para os partidos menores, que precisarão de um número maior de votos para atingir a cláusula de barreira de 3,25%.
Vale ressaltar que as pesquisas de boca de urna são apenas projeções; o cenário pode sofrer alterações à medida que os votos reais forem contabilizados ao longo da noite.



