O Painel El Niño, em novo boletim divulgado nesta quarta-feira (30) em parceria entre o Inmet, o Inpe, a ANA, o Cemaden, o SGB, a Sedec e o Censipam, alerta que o fenômeno deve atingir intensidade "muito forte" entre os meses de outubro e dezembro de 2026, com 95% de probabilidade de permanência até os primeiros meses de 2027, configurando um dos episódios mais intensos registrados desde 1950.
Contextos Meteorológicos e Hidrológicos da Previsão
O boletim técnico, construído com dados de monitoramento contínuo das instituições envolvidas — Inmet, Inpe, ANA, Cemaden, SGB, Sedec e Censipam — aponta que as anomalias térmicas no Pacífico Equatorial ultrapassaram 2 °C em setembro, conforme o CPC/NOAA, confirmando a consolidação do El Niño após sua confirmação em junho; essa elevação sustentada sinaliza uma intensificação que pode caracterizar um dos eventos mais fortes da história brasileira.
A previsão revela contrastes regionais acentuados: o Centro-Norte vive aprofundamento da seca, com 24 municípios em situação de seca extrema em setembro — aumento de 20 municípios em apenas um mês —, elevação do risco de incêndios e comprometimento da captação de água em Roraima, Acre e Amazonas; ao sul, por contraste, volumes acima da média provocam alagamentos no Vale do Taquari e no rio Caí, com mais de 190 alertas hidrológicos emitidos pelo SGB ao longo de 2026.
O El Niño deve atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026, com possibilidade de continuidade até os primeiros meses de 2027, configurando um dos episódios mais intensos desde 1950.
Repercussões Técnicas e Desdobramentos Institucionais
As autoridades federais mantêm monitoramento constante: a Sedec reforça a ativação de planos de contingência em regiões vulneráveis, enquanto a ANA e o Cemaden atualizam mapas de risco e orientam prefeituras para ações preventivas; o Inpe continua a fornecer dados satelitais para avaliação de impactos ambientais e urbanos.
Cenários futuros indicam necessidade urgente de adaptação: o aumento da frequência de cheias no Sul e do Norte deve demandar reforço nos sistemas de drenagem e alerta precoce; já a seca no Centro-Norte exige políticas de gestão hídrica mais rigorosas e suporte à agricultura familiar sob risco de perdaprodutiva.



