O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos cresceu 3,4% em ritmo anualizado no terceiro trimestre de 2026, impulsionado pelo consumo e por investimentos empresariais, especialmente em inteligência artificial. No entanto, esse desempenho não se traduziu em sensação de melhoria material para grande parte dos eleitores.
Em setembro, a inflação ao consumidor atingiu 3,7% em doze meses, enquanto os salários nominais cresceram 3%, resultando em recuo de 0,7% na remuneração média real. Além disso, a criação de vagas no mercado de trabalho foi limitada a 29 mil postos no período, embora o desemprego tenha permanecido em 4,2%.
A confiança do consumidor caiu para 48 pontos na Universidade de Michigan em outubro, cerca de 10% abaixo do registrado um ano antes. O elevado custo de bens duráveis e as condições de financiamento continuam pesando sobre as avaliações das famílias norte-americanas.
Parte das pressões inflacionárias está associada a tarifas de importação defendidas por Trump como forma de proteger a indústria nacional. Um estudo do Federal Reserve de Nova York estimou que aproximadamente 26% do aumento dessas tarifas foi repassado aos preços ao consumidor.
O conflito com o Irã também influenciou os preços: em setembro, a gasolina avançou 9,1%, respondendo por mais da metade da alta mensal do índice geral de inflação. Esses efeitos se espalham por transporte, produção e consumo.
O Federal Reserve manteve os juros básicos entre 3,75% e 4% para tentar conter a inflação acima da meta de 2%. Para famílias que financiam casas ou veículos, a combinação de preços elevados e crédito caro prolonga a sensação de aperto financeiro.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em outubro mostrou que 78% dos norte-americanos responsabilizam ao menos parcialmente as políticas de Trump pelo aumento do custo de vida. Entre os republicanos, essa percepção atinge 64% dos entrevistados.



