Inicialmente, o programa Record Kids – Desenhos Bíblicos havia recebido classificação indicativa para maiores de 12 anos. A decisão se baseou na análise de três episódios que apresentam cenas de apedrejamento, chicoteamento e tortura, incluindo a morte de um cristão e a tortura de Jesus Cristo por soldados romanos.
A revisão foi conduzida pela Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi), vinculada ao Ministério da Justiça, que alterou a classificação para Livre. A pasta apontou que a análise anterior não aplicou integralmente os critérios do Guia Prático de Classificação Indicativa, publicado em 2025.
Entre os fatores para a mudança estão o contexto cultural e religioso das narrativas bíblicas, os atenuantes para conteúdos associados a tradições de comunidades específicas e o fato de se tratar de uma animação com estética infantilizada voltada ao público infantil.
A secretaria destacou que a transmissão de narrativas bíblicas por meio de animações é uma expressão cultural protegida pela Constituição e que as tradições religiosas devem receber o mesmo tratamento das demais manifestações culturais. A produção conta com 36 episódios sobre passagens do Antigo e do Novo Testamento.
A decisão será publicada no Diário Oficial da União e a Record será formalmente comunicada. O órgão ressaltou que a classificação indicativa não tem caráter de censura, mas visa informar as famílias para que os responsáveis decidam o que as crianças podem assistir.


