O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) concedeu, em caráter de urgência, liminar para suspender os efeitos de uma decisão judicial federal que impunha prazo de 180 dias à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) para concluir estudos técnicos na Indígena Ituna-Itatá, localizando-se nos municípios de Altamira e Senador José Porfírio, no sudoeste do Pará, medida que preserva 142 mil hectares de floresta amazônica e protege comunidades isoladas do grupo Igarapé Ipiaçava.
Contexto Jurídico e Procedimentos da Ação
A decisão liminar foi proferida após recurso interposto pelo Ministério Público Federal (MPF), com apoio das entidades Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), O bservatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (O pi) e Defensoria Pública da União (DPU), com o objetivo de impedir a liberação do território sob risco iminente de ocupação irregular por grileiros e invasores armados que ameaçam a segurança dos indígenas isolados e a integridade das investigações técnicas em curso.
Antecedentemente, uma sentença proferida pela Justiça Federal no Pará havia estabelecido o prazo de 180 dias para a conclusão dos estudos da Funai na região, sob pena de cancelamento automático da portaria de interdição, o que gerava incerteza sobre a permanência da restrição ao acesso não autorizado ao território indígena.
A suspensão garante que 142 mil hectares da Amazônia permaneçam sob proteção legal enquanto decisões judiciais definitive sobre o uso do território.
Repercussão Institucional e Desdobramentos Futuramente
O MPF destacou que prazos rígidos para a finalização dos estudos favorecem atores econômicos ilegais que pressionam os limites da reserva, colocando em risco não apenas a vida dos indígenas isolados, mas também a segurança física das equipes da Funai responsáveis pelas investigações no local.
A decisão reforça a necessidade de avaliação técnica criteriosa antes da liberação do território, enquanto as forças federais e órgãos ambientais mantêm o controle ostensivo do acesso à área até que se comprove a inexistência de riscos à integridade indígena e ambiental.
Impor prazos rígidos para o encerramento dos estudos técnicos beneficia a ação de invasores armados e grileiros que pressionam os limites da reserva.

