O Ministério Público de São Paulo (MPSP) manifestou-se contrário à revogação da prisão preventiva do ex-secretário de Governo de Bauru, Renato Purini, marido da prefeita Suéllen Rosim. Ele está detido desde 16 de outubro no processo que apura fraude na concessão dos serviços de manejo do lixo no município.
A Promotoria aponta a baixa manual de um pagamento de R$ 750 mil feito pela empresa Estre Ambiental, vencedora da licitação, à Core Investimentos, descrita como empresa de fachada e intermediária do repasse de propinas. O documento cita ligações entre a Core e o ex-secretário.
Segundo o MPSP, o pagamento foi efetivado em 8 de dezembro de 2025, mesma data em que a Câmara Municipal votaria um projeto de lei de interesse direto do grupo empresarial investigado. A matéria foi aprovada com 11 votos favoráveis e nove contrários.
O Ministério Público destaca que, no exato dia da votação do projeto pela Câmara, foram pagos três quartos de milhão de reais à empresa utilizada como intermediária das vantagens indevidas coordenadas em favor de Renato Purini. O documento ainda aponta atuação política direta do ex-secretário na sessão, incluindo acompanhamento dos votos durante a madrugada e impedimento de parlamentares de deixar o local.
Uma das imagens anexadas à manifestação mostra a servidora Sara Moura de Jesus e a ex-secretária municipal do Meio Ambiente Cilene Bordezan fazendo um gesto obsceno à TV enquanto o vereador Eduardo Borgo (Novo) falava na sessão. Ambas estão presas na operação.
A investigação identificou pagamentos posteriores da Estre Ambiental à Core Investimentos, sendo o último com nota fiscal emitida em 8 de setembro de 2026, um dia antes da deflagração da primeira fase da Operação Cavalo de Troia pelo Gaeco do MPSP.
Seis alvos da primeira etapa da operação se tornaram réus por organização criminosa, frustração do caráter competitivo de licitação, contratação direta ilegal e crimes de corrupção ativa e passiva. Entre os réus estão os ex-secretários Cilene Chabuh Bordezan (Meio Ambiente), Vitor João de Freitas Costa (Negócios Jurídicos) e Sara Moura de Jesus (adjunta do Meio Ambiente).
Também foram denunciados o CEO da Estre Ambiental, Hamilton Libório Agle; a funcionária Talita de Andrade Soares Chieregatti; e o consultor da Fipe Mario Luiz Silverio. Os três secretários e Ricardo Purini foram exonerados pela prefeita Suéllen Rosim, que não é investigada até o momento.
A defesa de Renato Purini, representada pelos advogados Roberto Ribeiro Jr. e Ricardo Ribeiro Velloso, negou qualquer ato ilícito e afirmou que ele jamais solicitou, negociou ou recebeu recursos de origem ilícita. Os advogados confiam nos órgãos de investigação e na Justiça e adotarão medidas legais para garantir os direitos do cliente e a presunção de inocência.



