A alta demanda por hospedagem para a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, marcada para o dia 5 de janeiro de 2027, provocou um aumento expressivo nos preços das diárias em Brasília. Pela primeira vez, a cerimônia ocorre no quinto dia do ano, rompendo a tradição do dia 1º de janeiro.
Levantamento realizado em sites de hotelaria e plataformas como Airbnb e Booking identificou ao menos dez hotéis cobrando valores acima de R$ 9 mil. Os estabelecimentos mais caros concentram-se no Setor Hoteleiro Norte, a cerca de 1 km da Esplanada dos Ministérios.
O Saint Moritz Hotel, na Asa Norte, apresenta o valor mais elevado da região, com diária de R$ 25,3 mil, excluindo taxas adicionais. Duas diárias entre os dias 4 e 6 de janeiro somariam R$ 50,6 mil.
Outros flats particulares também registraram reajustes significativos. O Ozped Flats Particulares Cullinan cobra R$ 15.926, enquanto o Ozped Flats Particulares Saint Moritz está com diária de R$ 12.396.
O impacto se estende a regiões mais distantes do centro. No Hotel Go Inn Taguatinga, a diária saltou de R$ 185 para R$ 9.040 durante os dias da posse, representando um aumento de 4.786%.
Apartamentos anunciados em plataformas de aluguel por temporada também subiram consideravelmente. Um imóvel na Asa Norte passou de R$ 844 para R$ 2.419, enquanto um apartamento no Sudoeste cobra R$ 3.720 por duas diárias entre os dias 5 e 6 de janeiro.
A Associação de Aluguel por Temporada de Brasília aponta ocupação próxima de 60% nos imóveis consultados para o período da cerimônia no Distrito Federal e Entorno.
A procura por passagens aéreas também cresceu após o resultado das eleições. Buscas por “passagem para Brasília” subiram 70% segundo o Google Trends, com pico em 26 de outubro.
Um voo direto de São Paulo para Brasília na véspera da posse custa cerca de R$ 1.500, enquanto a tarifa média do mesmo trecho em janeiro de 2026 foi de R$ 444,63, segundo a Anac.
O cenário lembra o ocorrido durante a COP 30 em Belém, quando o preço médio de hospedagem disparou mais de 155% no mês do evento. Hotéis e flats na capital paraense registraram aumentos exponenciais.
A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, Airbnb e Booking foram procuradas sobre os preços elevados, mas não se manifestaram até o fechamento da matéria. Procon-DF e Senacon também não apresentaram posicionamento sobre a legalidade da prática.



