"Entre 2021 e 2022 dirigentes do Banco Master – Augusto Lima e André Kruschewsky – visitaram pelo menos seis vezes gabinetes do Partido Progressista (PP) na Câmara dos Deputados. As visitas incluíram encontros no gabinete da Liderança do PP em cinco ocasiões distintas entre junho de 2021 e maio de 2022. O projeto 'emenda Master', idealizado pelo senador Ciro Nogueira (PI), aumentou o limite do FGC para R$ 1 milhão.'"
Contexto Institucional e Histórico das Visitas e da Emenda Master
A apuração baseada em registros da portaria da Câmara dos Deputados, obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI), revelou que Augusto Lima, sócio e então CEO do Banco Master, e André Kruschewsky, diretor jurídico da instituição, compareceram repetidamente ao gabinete da Liderança do PP entre junho de 2021 e maio de 2022, totalizando cinco encontros na mesma sede, além de outras visitas a diferentes setores da Casa legislativa.
O projeto de lei que aumentou o teto do FGC foi idealizado pelo senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP, em atendimento aos interesses do Banco Master, conforme constata a Polícia Federal, e contou com apoio logístico de Cacá Leão, então líder da bancada ppista na Câmara (2021), e André Fufuca, sucessor à frente da bancada em 2022.
O Banco Master beneficiou-se diretamente com a 'emenda Master', que elevou o limite de proteção do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, valor que corresponde a quatro vezes o aumento original proposto.
Repercussão Jurídica e Posicionamentos
A Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara analisaram denúncias que apontam conflito de interesses e possível prática de lobby irregular por parte dos dirigentes do Banco Master ao intermediar a 'emenda Master' junto ao PP.
As autoridades envolvidas, incluindo o próprio Ciro Nogueira e os deputados Cacá Leão e André Fufuca, mantiveram postura defensiva, alegando atuação legítima como representantes partidários e negando qualquer vínculo indevido com o banco.



