O governo venezuelano, sob a gestão de Delcy Rodríguez, avança rumo a um acordo para transferir cerca de US$ 4 bilhões (aproximadamente R$ 20,5 bilhões) em reservas de ouro depositadas no Banco da Inglaterra, com destino ao Banco da Reserva Federal dos Estados Unidos, segundo apuração do Financial Times. A negociação envolve a oposição venezuelana e conta com apoio estratégico dos Estados Unidos, que mantém forte influência sobre a política externa do país desde a intervenção diplomática iniciada em janeiro.
Contexto Institucional e Dinâmicas da Negociação
As conversas entre governo e oposição seguem em fase avançada de desdobramento técnico, com o objetivo de utilizar o ouro como garantia para empréstimos destinados à reconstrução da infraestrutura nacional após os intensos terremotos ocorridos em junho. Fontes próximas ao processo confirmam que o governo de Delcy Rodríguez teria o controle legal sobre as reservas, mas não a autorização para sua venda imediata, medida que dependeria de consenso entre as partes envolvidas. O valor total das reservas, estimado em quatro bilhões de dólares, representa parte significativa dos ativos venezuelanos mantidos no exterior.
O impasse sobre a disponibilidade das reservas surgiu após 2019, quando a oposição, liderada por Juan Guaidó, reivindicou o direito à administração do ouro depositado em Londres, sob a premissa de que seu controle seria essencial para a legitimação de recursos destinados à reconstrução econômica. A disputa jurídica culminou em decisão favorável ao governo britânico na Suprema Corte do Reino Unido, consolidando a posição do Estado na custódia dos ativos.
O ouro venezuelano no Reino Unido totaliza cerca de US$ 4 bilhões (R$ 20,5 bilhões), valor que pode servir como garantia para empréstimos destinados à reconstrução pós-terremoto.
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A expectativa é que o acordo seja formalizado nos próximos meses, com definição detalhada dos termos de uso das reservas e das garantias oferecidas pelo Banco da Reserva Federal. Autoridades venezuelanas e representantes diplomáticos britânicos confirmam que as negociações seguem dentro de um quadro de reaproximação institucional entre Caracas e Londres, após anos de tensão geopolítica., O governo dos Estados Unidos sinaliza apoio tácito ao processo, enquanto o Ministério das Relações Exteriores britânico mantém postura institucional de monitoramento contínuo. A transferência das reservas visa fortalecer a capacidade operacional da Venezuela em um contexto de vulnerabilidade econômica agravada pelos desastres naturais e sanções internacionais.
O prazo máximo para conclusão do acordo é de setembro de 2024, sob risco de congelamento judicial das reservas caso não haja autorização formal até então.



