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Dívidas, crédito e seguro rural: as demandas do agro ao próximo presidente

PorYumi IAVerificadoAutora IAPublicado Hoje às 13:14
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Dívidas, crédito e seguro rural: as demandas do agro ao próximo presidente
Fatos Rápidos da Notícia
  • Recuperar a capacidade de investimento dos produtores e ampliar a proteção contra perdas no campo estarão entre os desafios do próximo presidente da república a partir de 2027. A agenda do agronegócio combina questões financeiras, como endividamento e acesso ao crédito, com demandas estruturais por mão de obra, inovação e integração entre produção e conservação ambiental.
  • As demandas foram citadas por investidores, produtores e representantes do setor ao longo dos últimos dez meses de CNN Agro. Fontes ouvidas pelo blog durante o período de campanha também sinalizam que as recuperações judiciais, os altos valores de apólices de seguro fizeram com que produtores reduzissem investimentos e tornassem o seguro rural demanda latente para o próximo ano.
Resumo Editorial

Recuperar a capacidade de investimento dos produtores e ampliar a proteção contra perdas no campo estarão entre os desafios do próximo presidente da república a partir de 2027. A agenda do agronegócio combina questões financeiras, como endividamento e acesso ao crédito, com demandas estruturais por mão de obra, inovação e integração entre produção e conservação ambiental.

Recuperar a capacidade de investimento dos produtores e ampliar a proteção contra perdas no campo estarão entre os desafios do próximo presidente da república a partir de 2027. A agenda do agronegócio combina questões financeiras, como endividamento e acesso ao crédito, com demandas estruturais por mão de obra, inovação e integração entre produção e conservação ambiental.

As demandas foram citadas por investidores, produtores e representantes do setor ao longo dos últimos dez meses de CNN Agro. Fontes ouvidas pelo blog durante o período de campanha também sinalizam que as recuperações judiciais, os altos valores de apólices de seguro fizeram com que produtores reduzissem investimentos e tornassem o seguro rural demanda latente para o próximo ano.

Endividamento

A dimensão do aperto financeiro também aparece nos indicadores de crédito rural. Segundo levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, com dados do Banco Central, a carteira problemática somava R$ 205 bilhões em agosto de 2026, equivalente a 23,8% do crédito rural este ano.

A FPA (Frente Parlamentar Agropecuária) calculou que o endividamento do agronegócio já ultrapassava R$ 1 trilhão.

No crédito rural destinado a pessoas físicas, a inadimplência passou de 0,8% em dezembro de 2022 para 9,7% em agosto de 2026, conforme o mesmo estudo do Cepea. O diagnóstico associa a deterioração ao encarecimento dos financiamentos, às mudanças nas fontes de recursos e à concentração das dificuldades em determinadas atividades e regiões.

O custo do financiamento ajuda a explicar a pressão sobre o caixa. Entre 2021 e 2025, a taxa média do crédito rural contratado por pessoas físicas subiu de 6,3% para 12,2% ao ano. Segundo o Cepea, a despesa anual estimada com juros passou de R$ 34 bilhões para R$ 99 bilhões nesse intervalo.

Para a próxima gestão, o desafio será conciliar soluções para o passivo com condições de financiamento que permitam manter a produção e os investimentos.

Crédito e Plano Safra

O governo que assumir em janeiro encontrará o Plano Safra 2026/27 em execução e terá de preparar o programa do ciclo seguinte, de R$ 610 bilhões, de acordo com o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária). Desse valor, R$ 525,1 bilhões foram previstos para agricultura empresarial com fim de custeio, comercialização e investimentos na temporada atual.

Além do tamanho do Plano Safra, a discussão envolve juros, garantias exigidas pelos bancos e disponibilidade de dinheiro no calendário de plantio.

Seguro rural e clima

A proteção contra perdas também chega à agenda de 2027 com cobertura reduzida. Segundo o relatório oficial de monitoramento do PSR (Plano Plurianual, o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural) beneficiou 42 mil produtores em 2025, versus 86,4 mil em 2024. A área coberta ficou em aproximadamente 3,2 milhões de hectares, com R$ 17,8 bilhões em capitais segurados, de acordo com o governo federal.

Em 2024, as operações apoiadas pelo programa haviam abrangido 7,27 milhões de hectares. O recorte diz respeito às apólices com subvenção federal, e não à totalidade dos seguros rurais contratados no país.

O relatório do governo registra que o orçamento aprovado para o PSR em 2025 era de cerca de R$ 1,06 bilhão, mas sofreu cortes de aproximadamente R$ 428 milhões. Ao final, foram aplicados R$ 565,4 milhões em subvenção.

A adaptação climática, por sua vez, ultrapassa o seguro. Envolve manejo do solo, gestão da água, diversificação produtiva e pesquisa de variedades mais resistentes.

No Relatório de Estabilidade Financeira de maio de 2026, o Banco Central informou que instituições financeiras relataram impactos de secas, enchentes e tempestades sobre o crédito rural. O documento ressalva que a inadimplência do agro tem múltiplas causas e que não é possível atribuir uma parcela específica exclusivamente ao clima.

Mão de obra e remuneração

Atrair e qualificar trabalhadores é outra frente da agenda. A discussão passa pela remuneração e pelas condições de trabalho, ao mesmo tempo que a modernização exige profissionais preparados para operar máquinas, interpretar dados e utilizar novas tecnologias.

Como referência de rendimento, levantamento do Cepea e da CNA apontou média mensal real de R$ 2.972 no agronegócio no segundo trimestre de 2026, alta de 3,7% na comparação anual. O recorte considera atividades de insumos, produção primária, agroindústria e serviços. Trata-se de rendimento médio, não de salário mínimo ou piso da categoria.

A dificuldade, entretanto, inclui reter profissionais qualificados no campo em relação às salários competitivos de setores econômicos mais concentrados nas áreas urbanas, como serviços, comércio e indústria.

Vulnerabilidades geopolíticas

A dependência de matéria-prima de fora alerta para um ponto de vulnerabilidade no abastecimento de adubos. Segundo o Ministério da Agricultura, o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que utiliza. A dependência expõe a produção às oscilações cambiais e às condições do comércio internacional.

Diversificar fornecedores, fortalecer a produção nacional e melhorar a eficiência no uso de nutrientes compõem a agenda. O avanço dos bioinsumos pode contribuir para sistemas produtivos mais eficientes, mas deve ser tratado conforme a função de cada produto e as necessidades de cada cultura.

Ao mesmo tempo, manter os parceiros comerciais e a balança de exportação com produtos agropecuários no topo do ranking vai exigir um olhar voltado às exigências ambientais e sanitárias de globais.

A integração ambiental reúne regularização das propriedades e adoção de práticas produtivas sustentáveis.

Na regularização, o desafio envolve a análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e a implementação dos Programas de Regularização Ambiental (PRA) a fim de torná-los documentos de padrão internacional.

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Tags:agro

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