Durante entrevista ao Jornal Nacional na última sexta-feira, Flávio Bolsonaro afirmou categoricamente que jamais questionou a legitimidade do processo eleitoral, embora tenha reiterado posições conflitantes sobre a transparência das urnas eletrônicas em declarações públicas anteriores, incluindo a alegação de que o sistema seria fabricado pela Smartmatic, empresa associada a suspeitas de fraudes na Venezuela.
Contextualização histórica e fundo das posições sobre o sistema eleitoral
A apuração revela que entre 2014 e 2024, Flávio Bolsonaro manteve uma narrativa contraditória acerca da confiabilidade do voto eletrônico, inicialmente insinuando que as urnas não poderiam ser auditadas — informação já desmentida por relatórios técnicos do Tribunal Superior Eleitoral — e posteriormente atribuindo falsamente a tecnologia brasileira à empresa venezuelana Smartmatic, segundo consta em transcrição do evento 'Debatendo o Brasil' em Brasília.
Além disso, documentos da tribuna da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e de sessão no Senado Federal evidenciam que o político já havia defendido a adoção do voto impresso como medida para garantir lisura eleitoral, demonstrando consistência em questionar a validade do processo sem base técnica.
As declarações de Flávio Bolsonaro sobre a Smartmatic configuram um equívoco reconhecido por ele mesmo durante entrevista ao Jornal Nacional.
Repercussão institucional e posicionamentos oficiais
A Justiça Eleitoral e órgãos de fiscalização já alertaram para os riscos de desinformação sobre o sistema de votação, enquanto o Ministério Público Federal mantém investigações sobre atos que possam configurar infrações à Lei das Eleições.
Especialistas em segurança cibernética reitera que o modelo brasileiro, baseado em código aberto e auditoria pública, não depende de voto impresso para garantir integridade, mas as tentativas de deslegitimar o processo visam minar a confiança institucional.



