Parlamentares questionam possível pedido de asilo do senador brasileiro e cobram explicações do governo Trump após a viagem da família aos Estados Unidos.
Integrantes do Partido Democrata dos Estados Unidos criticaram a decisão do governo de Donald Trump de conceder vistos ao senador brasileiro Flávio Bolsonaro (PL) e a seus familiares. As manifestações ocorreram nas redes sociais após a confirmação de que o parlamentar, derrotado na eleição presidencial brasileira de domingo (25), viajou com a esposa e as filhas para o território norte-americano.
O Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos EUA, ligado aos democratas, comparou o tratamento destinado à família Bolsonaro às restrições enfrentadas por pessoas que tentam obter proteção internacional após fugir de conflitos no Sudão e no Haiti.
“Nenhum asilo para pessoas fugindo da guerra no Sudão ou do conflito no Haiti, mas Rubio está estendendo o tapete vermelho para Bolsonaro. Aparentemente, fugir da violência não se qualifica. Negar os resultados eleitorais, sim”, declarou o comitê em publicação nas redes sociais.
O candidato democrata Isaiah Martin também se posicionou contra a possibilidade de acolhimento do senador. Em uma postagem no Threads, ele chamou Flávio de “imigrante ilegal criminoso” e criticou os possíveis gastos públicos com a segurança e os deslocamentos da família brasileira nos Estados Unidos.
“Agora, o contribuinte americano vai arcar com os custos para proteger sua família criminosa e suas viagens de luxo pelo nosso país”, afirmou Martin.
O deputado democrata Joaquin Castro, por sua vez, questionou a possibilidade de Flávio Bolsonaro solicitar asilo. Para o parlamentar, a derrota eleitoral não justificaria esse tipo de pedido.
“Perder uma eleição não é motivo para pedir asilo”, escreveu Castro. Ele também cobrou esclarecimentos da administração Trump sobre a viagem do senador e as circunstâncias de sua saída do Brasil.
“O governo Trump deve explicações ao Congresso sobre seu papel em ajudar Bolsonaro a fugir do Brasil em desacordo com a legislação brasileira”, acrescentou o deputado.
As críticas foram publicadas depois que o Departamento de Estado dos Estados Unidos informou, na terça-feira (27), que concederia vistos a Flávio Bolsonaro e a seus familiares. Até o momento do anúncio, o governo norte-americano não havia esclarecido se os documentos já tinham sido emitidos.
A viagem do senador ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar, na noite de domingo, que ele entregasse os passaportes. O governo argentino informou, na madrugada de quarta-feira (28), que Flávio entrou no país com a família na noite anterior. Posteriormente, o avião que transportava o grupo pousou na Flórida na manhã desta quarta.
O presidente Donald Trump também comentou a viagem. Questionado por jornalistas, disse que aprovaria a ida de Flávio aos Estados Unidos, classificou os integrantes da família como “boas pessoas” e voltou a criticar a eleição presidencial brasileira.
“Bem, eu aprovaria. Acho que eles são boas pessoas. A eleição foi muito estranha, e achei que foi terrível. Ela tem recebido avaliações ruins. Veja o que aconteceu com o mercado deles”, afirmou Trump.
O episódio amplia o embate político entre democratas e republicanos em torno da política migratória e da relação do governo norte-americano com o Brasil. As críticas também surgem às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro, quando serão renovadas todas as cadeiras da Câmara dos Representantes e parte do Senado.



